Rádio Renner: Lycra Preta e o rigor do grave no outono

Lycra Preta para a Rádio Renner por deepbeep

A DJ Lycra Preta constrói o novo episódio da Rádio Renner com camadas e mostra como o outono-inverno exige estrutura para sustentar o groove.

A temperatura cai e muda o jeito de ocupar a cidade. A roupa ganha peso, o tecido estrutura o corpo e o movimento exige outra intenção. Na pista, o efeito aparece rápido: o grave segura mais tempo e o set precisa encaixar. A Rádio Renner faz parte desse ajuste. A curadoria sonora do deepbeep traduz a lógica da alfaiataria em ritmo. Silhueta firme. Repetição precisa. Variação no ponto certo. A DJ Lycra Preta assume esse desenho. Trabalha a progressão como quem monta um look para durar a noite. Camada por camada. Sem perder o pulso. Nessa conversa, ela fala sobre pesquisa fora do radar, a construção do set e o papel da intenção quando o algoritmo tenta decidir antes da pista.

Rádio Renner, seus looks agora com ritmo.
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O inverno muda o corpo da pista. O ar pesa e o grave se espalha diferente. O que você ajusta no set quando a temperatura cai?
É preciso respeitar a temperatura do corpo e equalizar com o ambiente. Assim como um warm-up conduz a pista até o ponto alto com paciência, o clima também interfere. Sentir e conduzir esses corpos por caminhos possíveis é um trabalho de tato, leitura e intenção.

A pista revela comportamento. Quando você olha para ela hoje, o que essa geração mostra?
Percebo uma geração que se veste de si mesma. Mesmo com códigos e estereótipos, existe diversidade real. Ao mesmo tempo, sinto uma inquietação que me remete à ausência de presença. Quando a conexão acontece, ela se destaca. A pista cumpre seu papel quando deixa de ser distração.

Você assinou o mood da Rádio Renner. Que referências ajudaram a construir esse caminho?
A progressão parte da influência dos anos oitenta que percebi na coleção. O set convida a sair sem pressa, com timbres disco e baterias firmes, até chegar a sonoridades mais brasileiras. Artistas como Jack District e Zopelar ajudam a construir esse percurso dentro da house nacional.

Onde você encontra música que ainda escapa do padrão repetido das plataformas?
Confio muito no meu ouvido. Acompanho selos e artistas pelo Bandcamp e procuro ir além do que aparece de imediato. Isso cria uma rede de descobertas sem depender do circuito mais óbvio.

Quando você começa um set, qual é o primeiro ponto que define o caminho?
A intenção. É ela que abre o percurso. O que quero transmitir: onde o set será tocado, em que momento. Essas respostas guiam a seleção e a técnica.

Depois do silêncio, o que você escuta para reorganizar o ouvido?
Gosto do silêncio, mas nem sempre ele é possível. Ouço Infinity, do Khan Jamal. Funciona como um reset. Me conecta com a memória e reorganiza o dia.

Acompanhe o trabalho de Lycra Preta
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Conheça a coleção outono-inverno Renner aqui.

https://deepbeep.com.br/playlists/radio-renner-luisa-viscardi

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