
Criadora do Levanta & Vai, Lara D’Avila fala sobre expectativas, liberdade, vulnerabilidade e a importância de criar espaços onde as pessoas possam tirar a máscara e simplesmente estar juntas.
Aprender a rir do próprio ridículo pode mudar a maneira como a gente enfrenta o julgamento dos outros. Lara D’Avila descobriu isso numa oficina de palhaço com Márcio Libar, depois de passar boa parte da infância tentando corresponder às expectativas dos pais. A experiência mudou sua relação com a crítica e abriu espaço para reconhecer partes de si que costumava esconder.
Essa relação com a liberdade também aparece no Levanta & Vai, iniciativa que foi criada a partir da vontade de aproximar pessoas de mundos diferentes. Lara acredita que a convivência perde espaço quando todo mundo precisa sustentar personagens sociais. Seu desejo é criar ambientes onde as pessoas possam baixar a guarda, brincar e estar juntas sem tanta preocupação com a imagem que projetam.
Nas redes sociais, compartilha experiências, aprendizados, medos e vulnerabilidades. Ao mesmo tempo, reconhece que falar publicamente exige consciência sobre o lugar de onde cada pessoa se expressa, incluindo questões de classe e raça. A própria experiência, lembra ela, não representa a de todo mundo.
No dia 7 de novembro, Lara é nossa convidada para mais uma edição do PRISMA, no Centro Cultural São Paulo, durante a programação da Virada Sustentável, com participação da Virada Zen. Para a conversa com o deepbeep, ela também escolheu uma música que diz muito sobre sua maneira de enxergar as pessoas: You Don’t Know Me, de Caetano Veloso. A seleção musical que acompanha a entrevista, “O Que Fica com a Gente”, parte dessa relação entre música, memória, pessoas e experiências que continuam fazendo parte de quem somos.
Lísias Paiva, criador e editor
Lara, na infância, a comida ocupava também um lugar de conforto na sua vida. Quando você olha para aquela fase hoje, o que consegue entender sobre si mesma que ainda não conseguia perceber naquela época?
Minha comida de conforto sempre foi a mais caseira: arroz, feijão, bife e farofa, brigadeiro de panela… E, ao mesmo tempo, eu amava comida japonesa e frutos do mar. Hoje entendo que ali já estava uma coisa muito minha: eu sempre gostei do que é bom de verdade, mas sem cerimônia. Luxo, pra mim, é o ingrediente certo, a mesa com quem eu amo, o tempo pra comer sem pressa. Nunca foi sobre etiqueta.
Houve alguma situação em que você percebeu que estava tentando corresponder tanto às expectativas dos outros que já tinha dificuldade para reconhecer as próprias vontades? O que aconteceu e como você começou a lidar com isso?
Cresci com pais muito exigentes, e até uns 15 anos eu vivia tentando agradá-los. Em algum momento percebi que isso me apertava, me fazia esconder partes minhas. Ser muito extrovertida me ajudou a sair desse lugar. Outra coisa que mudou tudo foi a oficina de palhaço do Márcio Libar. Aprender a rir do próprio ridículo é libertador: a crítica perde o poder de te paralisar, porque você já riu de si antes de qualquer um.
Se eu encontrasse a sua história numa música, qual seria? O que essa escolha revelaria sobre você que dificilmente apareceria numa conversa?
Seria You Don’t Know Me, do Caetano. Acho que ela revela como somos muito mais complexos do que aparentamos e como, com o tempo, a bagagem emocional só aumenta. Tem lados da Lara que poucos acessam.
Criar o Levanta & Vai colocou outras pessoas dentro de uma ideia que também faz parte da sua vida. O que aconteceu nesse percurso que mudou a maneira como você entende o movimento, o encontro ou a sua própria relação com as pessoas?
Sempre aprendi escutando gente de mundos muito diferentes do meu, e acho que é assim que se cria repertório. O Levanta & Vai nasceu disso: criar pontes entre mundos, nos levar menos a sério e voltar a brincar em sociedade. O que mudou foi perceber o quanto as pessoas se levam a sério e vivem teatros sociais que muitas vezes adoecem. Nunca precisamos tanto de espaços onde dá pra tirar a máscara e simplesmente estar junto.
Você transita entre a vida pessoal, as redes sociais e iniciativas que aproximam pessoas. Como decide o que colocar no mundo e o que preservar? Houve alguma experiência que mudou essa fronteira para você?
Divido quase tudo o que me alegra, me emociona, me faz pensar e com que aprendo, porque acredito que é assim que a gente vem pra terra. Estado de aprendiz. Tenho pouquíssimos tabus e não tenho vergonha de falar dos meus medos e fraquezas. Mas filtro é necessário. Pra mim, ele passa por ter consciência do lugar de onde eu falo, de classe e de raça, e de que nem toda experiência minha é universal. E também por aceitar que é impossível agradar todo mundo.
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[Serviço]
Prisma no Jardim Suspenso do CCSP
13h00 – Virada zen Mindfulness pelo Centro de Mindfulness e Terapias Integrativas
15h30 – Rádio deepbeep convida Lara D’Avila
17h00 – Virada zen com Limash Sound Healing
17h30 – Discotecagem Rafa Jazz
19h00 – Cine na Praça apresenta “Ilha de Cachorros” (2018) de Wes Anderson
CCSP – R. Vergueiro, 1000
Entrada gratuita e livre
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Movimento Levanta&Vai por Lara D’Avila
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Uma seleção de Lara D’Avila para o deepbeep, com músicas que acompanham diferentes fases da vida, lembranças, pessoas e descobertas. Um repertório pessoal sobre o que permanece com a gente e continua ganhando significado ao longo do tempo.
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