
GDZ e RKills, o Cyberkills, falam sobre referências, validação e uma assinatura que continua reconhecível mesmo quando a música muda de direção.
Gabriel Diniz, o GDZ, e Rodrigo Oliveira, o RKills, se conheceram pela internet e começaram a produzir juntos em 2018. Desde então, o CyberKills passou por funk, techno, trance, tribal, breakbeat, acid, house, hyperpop e outras referências que entram e saem das produções sem transformar gênero em regra. Quase sete anos depois, a dupla consegue reconhecer o próprio som mesmo quando a música toma uma direção que eles mesmos não esperavam.
Parte dessa identidade foi construída dentro do estúdio, na biblioteca de samples e presets que os dois foram acumulando ao longo dos anos, mas também na diferença entre as escutas de cada um. Rodrigo mantém trip hop e ambient entre suas referências pessoais e não sente necessidade de levar tudo para o CyberKills, enquanto Gabriel gosta de testar caminhos novos sem anunciar antes para onde a música vai. O duo foi encontrando sua assinatura nessa convivência sem precisar fazer com que os dois ouvissem as mesmas coisas.
No começo, essa segurança não existia. Rodrigo e Gabriel acreditavam que precisavam da validação de outros artistas para entrar na cena e se estabelecer, principalmente fora do Brasil, até perceberem que esperar esse reconhecimento consumia uma atenção que poderia estar voltada para o próprio trabalho. Hoje, eles olham para a cena internacional com mais distância e falam de uma relação desigual com artistas do Sul Global, enquanto seguem construindo a carreira a partir do que conseguem fazer por conta própria.
As redes sociais também mudaram a maneira como chegam a uma cidade. Fortaleza, Belo Horizonte e São Paulo, por exemplo, já aparecem para o duo antes mesmo da apresentação, pelos comentários, mensagens e pela expectativa que começa a surgir quando uma festa anuncia o CyberKills. A internet oferece sinais importantes, mas os dois já descobriram que eles não garantem o que acontece quando a música encontra uma pista.
No dia 10 de outubro, essa diferença entre expectativa e experiência ganha mais uma situação para testar. O CyberKills se apresenta no ZIG Festival, em São Paulo, em um feat inédito com Linn da Quebrada. O duo leva seu set eletrônico, enquanto Linn apresenta uma releitura de seus hits preparada especialmente para o encontro.
Para o deepbeep, GDZ e RKills falam sobre as referências que formaram o CyberKills, o momento em que deixaram de procurar validação e tudo aquilo que escutam sem precisar transformar em música. Dois Ouvidos, a playlist que acompanha a entrevista, reúne justamente essa escuta mais ampla, com músicas que fazem parte do universo do duo e outras que continuam existindo apenas fora dele.
Lísias Paiva, criador e editor
Com colaboração de Claudio Thorne, redes e comunidade
Vocês começaram se encontrando pela internet e acabaram construindo uma vida bastante atravessada pelo CyberKills. O que a convivência fez aparecer na música que nenhum dos dois teria criado sozinho?
RKills: Acho que a troca de referências e, principalmente, o jeito individual de cada um produzir acabou moldando muito o som. Cada um trouxe suas próprias influências e maneiras de enxergar a música, e essa convivência foi criando uma linguagem que provavelmente não existiria se estivéssemos trabalhando separados.
GDZ: Acho que Rodrigo resumiu bem. Temos referências que vêm do mesmo lugar, mas também temos particularidades musicais que vêm de planos bastante distintos. Acredito que essas referências únicas foram o que acabaram por moldar a estética do duo. Nossa linguagem vem da nossa amizade e de tudo o que carregamos e aprendemos juntos nesse caminho que entramos sem manual de instruções.
O CyberKills já passou por funk, techno, trance, tribal, breakbeat, acid, house e outras zonas menos fáceis de nomear. Como vocês percebem que uma música ainda é CyberKills quando ela já não cabe direito em nenhum gênero?
RKills: Justamente pela mistura, mas também por coisas bem específicas da nossa produção. A gente tem uma biblioteca de samples e presets que fomos construindo ao longo do tempo e que acaba tendo uma sonoridade muito particular do CyberKills.
GDZ: Acho que a palavra que define o CyberKills depois de tantos anos é o ecletismo, é essa mistura que acaba dando origem a outros gêneros que a gente nem consegue definir em palavras. Observamos cada vez mais essa necessidade de nomear as coisas caindo por terra a partir do momento em que a produção artística é democratizada. Todo mundo pode fazer música no quarto de casa e foi assim que começamos.
Depois de tocar para públicos tão diferentes pelo Brasil, tem alguma coisa que vocês passaram a perceber numa cidade antes mesmo de conhecer o lugar?
RKills: A gente percebe muito pela recepção nas redes sociais. Quando uma festa anuncia que vamos tocar em determinada cidade, já dá para sentir a reação das pessoas, pelos comentários, pelas mensagens e pela expectativa que começa a aparecer.
GDZ: Temos cenas bastante expressivas no mundo digital, tipo Fortaleza, Belo Horizonte e São Paulo, e isso acaba oferecendo um spoiler do que virá a seguir. Acredito que as redes sociais são um bom termômetro. Claro que não é o fator principal, até porque já nos surpreendemos, tanto positivamente quanto negativamente, em relação ao que vimos previamente na internet antes de uma gig.
Em quase sete anos de CyberKills, o que vocês achavam que seria importante para o projeto e descobriram que não era?
RKills: No começo, a gente achava que precisava da validação de outros artistas para conseguir entrar na cena e se estabelecer. Com o tempo, percebemos que isso não era tão importante. Em algum momento, a gente simplesmente tacou o foda-se para essa busca por validação e passou a confiar mais no que estávamos construindo.
GDZ: Definitivamente, esperar validação de pessoas da cena, principalmente da cena internacional. Percebemos com o tempo que somos nós por nós mesmos, principalmente quando falamos sobre o Sul Global. Todo mundo quer um pedacinho do que tá rolando no Brasil, mas poucos se interessam em somar de verdade com o que estamos construindo.
Tem algo que vocês escutam, gostam ou vivem hoje que ainda não encontrou lugar no CyberKills?
RKills: Muitas, na real. Eu, por exemplo, adoro trip hop e ambient, mas não vejo necessidade de trazer tudo o que escuto em casa para o CyberKills. Acho interessante também ter referências que simplesmente ficam no nosso universo pessoal.
GDZ: A gente tá sempre ouvindo e testando de tudo um pouco. Nem sempre isso precisa ir pro CyberKills ou pras produções solo, mas estamos sempre abertos ao novo. Quando você acha que a gente vai vir com algo, provavelmente vamos aparecer com o oposto. Nosso próximo single, por exemplo, é muito diferente de tudo que já lançamos. Sai dia 15 de outubro. Aguardem por “Back 2 Me”.
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[Serviço]
ZIG Festival 2026
em São Paulo no dia 10 de Outubro a partir das 17h
Pavilhão + Audio
Avenida Francisco Matarazzo, 694
Serão mais de 30 atrações ao todo entre cantores nacionais, internacionais, DJs e performers.
ZIGFestival 2026: 10 DE OUTUBRO (São Paulo)
ZIGFest RIO: 9 DE OUTUBRO (Rio de Janeiro)
Line-up completo no Zig Festival
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Fotos por Pedro Lacerda
Agradecimentos ao Pedro Paulo Furlan da Red Assessoria pela conexão
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