Luiz Eurico Klotz quer tirar o corpo da lógica da performance

Luiz Eurico Klotz, um dos idealizadores do Lost & Found. Entrevista e playlist no deepbeep.

Um dos idealizadores do Lost & Found, Luiz Eurico Klotz fala sobre um festival em que correr, dançar, descansar e ouvir música ocupam o mesmo dia sem transformar o lazer em competição.

Você corre. Depois dança. Para um pouco. Faz uma aula de yoga. Escuta um show. Senta na grama. Encontra os amigos. Durante muito tempo, essas coisas tiveram hora e lugar próprios. Luiz Eurico Klotz passou boa parte da carreira trabalhando justamente no território dos grandes festivais, da música eletrônica e do entretenimento. Esteve no Skol Beats e na chegada do Tomorrowland ao Brasil. Agora, o projeto é outro.

O Lost & Found junta música, esporte e bem-estar em um dia de programação na Arena Mairiporã. A ideia não é fazer o público escolher entre correr e dançar, treinar e descansar, assistir a um show ou simplesmente ficar ali. O corpo não precisa cumprir uma meta para fazer parte da experiência. É uma mudança pequena na aparência e grande na lógica. Durante anos, festival foi sinônimo de quantidade. Mais artistas. Mais palcos. Mais estímulo. Luiz quer testar outra medida, baseada no tempo que cada pessoa consegue dar ao que está fazendo.

Na conversa com o deepbeep, Klotz fala sobre essa mudança, sobre a diferença entre excesso e intensidade e sobre um futuro em que o entretenimento pode ter menos a ver com dar conta de tudo e mais com escolher como passar o dia. E a playlist “O Corpo Escuta Primeiro” reúne 20 faixas do universo do Lost & Found, selecionadas por ele, com artistas que fazem parte do line-up.

Lísias Paiva, criador e editor

Luiz, durante muito tempo, música, esporte e bem-estar ocuparam espaços diferentes da vida. Agora eles aparecem no mesmo lugar. O que mudou na cultura para essa mistura fazer sentido justamente agora?
Acho que mudamos a forma de entender o lazer. Cada atividade ocupava um espaço específico. Você ia a um festival para ouvir música, treinava em outro momento e buscava bem-estar em outro contexto. Hoje as pessoas procuram experiências mais completas, em que tudo isso possa coexistir de forma natural. Existe uma vontade maior de estar presente, de viver o tempo livre com mais qualidade e de compartilhar esses momentos com outras pessoas. O Lost & Found olha para essa percepção. Não foi uma ideia de juntar tendências, mas de criar um ambiente onde música, movimento e bem-estar fazem parte da mesma conversa.

Existe uma diferença entre cuidar do corpo para produzir mais e cuidar do corpo para sentir mais. Em qual lado dessa discussão o Lost & Found escolhe ficar?
Sem dúvida no segundo. A gente vive uma época em que quase tudo é medido por desempenho, quanto você corre, quanto trabalha, quanto rende. O Lost & Found propõe uma pausa nessa lógica. O esporte está presente, mas sem obrigação de performance. Você pode correr, caminhar, fazer yoga, ouvir música, sentar na grama ou simplesmente observar o que está acontecendo. O objetivo não é sair dali melhor que os outros, mas mais conectado consigo mesmo. Quando o corpo deixa de ser uma ferramenta de produtividade e volta a ser um espaço de percepção, a experiência muda completamente.

Festivais costumam prometer excesso. O Lost & Found parece interessado em intensidade. Qual é a diferença entre essas duas experiências?
Excesso normalmente está ligado à ideia de consumir mais, mais atrações, mais estímulos, mais velocidade. Intensidade, para mim, tem mais relação com presença. Você pode viver um momento intenso em silêncio, durante uma corrida na natureza, em uma aula de respiração ou em um show. Não depende da quantidade de coisas acontecendo, mas da qualidade da conexão que você estabelece com aquele momento. O Lost & Found foi pensado para que cada pessoa construa sua própria jornada, sem a sensação de que precisa dar conta de tudo.

O que você espera que as pessoas levem para casa quando a música acaba?
Espero que levem uma sensação. Aquela impressão de que passaram um dia diferente, em que puderam desacelerar, encontrar pessoas, descobrir novos artistas e experimentar outras formas de ocupar o tempo. Se alguém voltar para casa inspirado a ouvir mais música, cuidar mais de si, passar mais tempo ao ar livre ou simplesmente encontrar os amigos com mais frequência, acho que o festival já cumpriu um papel importante. A música termina, mas as conexões e as lembranças continuam.

Se o Lost & Found fosse uma previsão sobre como vamos viver nossos fins de semana daqui a cinco anos, o que ele estaria antecipando?
Eu acredito que as pessoas vão buscar cada vez mais experiências que façam sentido para diferentes momentos do dia e para diferentes perfis. Um lugar onde seja possível correr, ouvir um grande show, participar de uma conversa interessante, descansar, comer bem e encontrar amigos sem precisar escolher apenas uma dessas coisas. Acho que o futuro do entretenimento passa muito mais pela integração do que pela especialização. O Lost & Found é uma tentativa de olhar para essa mudança e transformar esse comportamento em um festival.


O Lost & Found é um festival que coloca música, movimento e bem-estar no mesmo espaço. A ideia é simples, mas ainda pouco comum por aqui. Em vez de organizar o dia em torno de uma única atividade, o festival propõe diferentes ritmos para a mesma experiência.

A música atravessa os três palcos com Rael, Rachel Reis, André Frateschi, DJ Marky, Dre Guazzelli, Luísa Viscardi, Sarah Stenzel, Emanazul, Coy b2b Dcozta, Jana b2b Pazoca e Gop Tun DJs, com Caio Taborda e Nascii. A programação também inclui experiências de breathwork, sound healing e danzamedicina.

Fora dos palcos, entram trail runs de 5 km e 10 km, Night Run, yoga, spinning, treinamento funcional, aqua float, Beer Mile e uma área de recovery com sauna e banheira de gelo. Há ainda talks sobre saúde, comportamento, qualidade de vida e longevidade.

É um festival para quem não quer passar o dia fazendo uma coisa só. Dá para correr, dançar, desacelerar, encontrar gente, ouvir música e mudar de ritmo sem precisar sair do lugar.


★ Lost & Found 2026
14 de novembro, sábado
Das 8h às 20h
Arena IMTB, Mairiporã, SP

Ingressos e informações em lostandfound.com.br


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Agradecimentos à Gabriela Schwartz e Lara Moraes da Combo Comunicação

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Ouça a playlist de Luiz Eurico Klotz no seu player preferido

Uma seleção por Luiz Eurico Klotz com músicas para acompanhar um dia que não precisa escolher entre movimento e pausa. Tem música para correr, dançar, desacelerar, descobrir e ficar. Faixas do line-up e outras que traduzem o espírito do Lost & Found.

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