Sarah Stenzel e a temperatura da pista

DJ e produtora, Sarah Stenzel explora sonoridades tribais e música eletrônica contemporânea. No Lost & Found, sua pesquisa encontra um festival que aproxima pista, movimento e bem-estar.

A música faz uma coisa curiosa com o corpo, pode acelerar a respiração, mudar o humor de um ambiente e aproximar desconhecidos sem que ninguém precise combinar nada. É uma experiência difícil de medir, embora a gente viva numa época empenhada em transformar quase tudo em indicador de desempenho.

DJ e produtora, Sarah Stenzel trabalha bem com essa dimensão física da música. Sua pesquisa cruza a eletrônica contemporânea com ritmos tribais e referências brasileiras, como mostram seus remixes de Como Nossos Pais, na voz de Elis Regina, e Andar com Fé, de Gilberto Gil, em colaboração com Malive.

No Lost & Found, onde se apresenta no dia 14 de novembro, a música divide espaço com corrida, práticas de bem-estar e experiências de recuperação física. A proposta coloca uma questão interessante. Se até o descanso virou uma ferramenta para produzir melhor, ainda sabemos aproveitar uma experiência sem cobrar algum resultado dela?

Na conversa, Sarah fala sobre a diferença entre excesso e intensidade, a relação entre corpo e música e o que permanece depois que a pista esvazia. Na playlist “Pele Elétrica“, reúne faixas que mostram como um som pode alterar a energia de um ambiente antes mesmo de alguém perceber o que mudou.

Lísias Paiva, criador e editor

Sarah, durante muito tempo, música, esporte e bem-estar ocuparam espaços diferentes da vida. Agora eles aparecem no mesmo lugar. O que mudou na cultura para essa mistura fazer sentido justamente agora?
Acho que mudamos a forma de entender o lazer. Cada atividade ocupava um espaço específico, você ia a um festival para ouvir música, treinava em outro momento e buscava bem-estar em outro contexto. Hoje as pessoas procuram experiências mais completas, em que tudo isso possa coexistir de forma natural. Existe uma vontade maior de estar presente, de viver o tempo livre com mais qualidade e de compartilhar esses momentos com outras pessoas. O Lost & Found olha pra essa percepção. Não foi uma ideia de juntar tendências, mas de criar um ambiente onde música, movimento e bem-estar fazem parte da mesma conversa.

Existe uma diferença entre cuidar do corpo para produzir mais e cuidar do corpo para sentir mais. Em qual lado dessa discussão o Lost & Found escolhe ficar?
Sem dúvida no segundo. A gente vive uma época em que quase tudo é medido por desempenho. Quanto você corre, quanto trabalha, quanto rende. O Lost & Found propõe uma pausa nessa lógica. O esporte está presente, mas sem obrigação de performance. Você pode correr, caminhar, fazer yoga, ouvir música, sentar na grama ou simplesmente observar o que está acontecendo. O objetivo não é sair dali melhor que os outros, mas mais conectado consigo mesmo. Quando o corpo deixa de ser uma ferramenta de produtividade e volta a ser um espaço de percepção, a experiência muda completamente.

Festivais costumam prometer excesso. O Lost & Found parece interessado em intensidade. Qual é a diferença entre essas duas experiências?
Excesso normalmente está ligado à ideia de consumir mais, mais atrações, mais estímulos, mais velocidade. Intensidade, para mim, tem mais relação com presença. Você pode viver um momento intenso em silêncio, durante uma corrida na natureza, em uma aula de respiração ou em um show. Não depende da quantidade de coisas acontecendo, mas da qualidade da conexão que você estabelece com aquele momento. O Lost & Found foi pensado para que cada pessoa construa sua própria jornada, sem a sensação de que precisa dar conta de tudo.

O que você espera que as pessoas levem para casa quando a música acaba?
Espero que levem uma sensação. Aquela impressão de que passaram um dia diferente, em que puderam desacelerar, encontrar pessoas, descobrir novos artistas e experimentar outras formas de ocupar o tempo. Se alguém voltar para casa inspirado a ouvir mais música, cuidar mais de si, passar mais tempo ao ar livre ou simplesmente encontrar os amigos com mais frequência, acho que o festival já cumpriu um papel importante. A música termina, mas as conexões e as lembranças continuam.

Se o Lost & Found fosse uma previsão sobre como vamos viver nossos fins de semana daqui a cinco anos, o que ele estaria antecipando?
Eu acredito que as pessoas vão buscar cada vez mais experiências que façam sentido para diferentes momentos do dia e para diferentes perfis. Um lugar onde seja possível correr, ouvir um grande show, participar de uma conversa interessante, descansar, comer bem e encontrar amigos sem precisar escolher apenas uma dessas coisas. Acho que o futuro do entretenimento passa muito mais pela integração do que pela especialização. O Lost & Found é uma tentativa de olhar para essa mudança e transformar esse comportamento em um festival.

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O Lost & Found reúne música, esporte e bem-estar numa experiência que não gira em torno de uma única atividade. A proposta é ocupar o dia de diferentes maneiras, alternando movimento, música, descanso e convivência.

A música atravessa três palcos com Rael, André Frateschi, Rachel Reis, Luísa Viscardi, Sarah Stenzel, Coy Freitas b2b Dcozta e Gop Tun DJs, com Caio Taborda e Nascii. A programação também inclui breathwork, sound healing e danzamedicina.

Fora dos palcos, há trail runs de 5 km e 10 km, yoga, spinning, treinamento funcional, aqua float e uma área de recovery. Talks sobre saúde, comportamento, qualidade de vida e longevidade ampliam a conversa para além da música e do exercício. O festival também conta com gastronomia, recreação infantil e acesso pet friendly.

A ideia é ter diferentes experiências acontecendo no mesmo lugar, sem precisar escolher uma única maneira de viver o festival. Correr, dançar, experimentar uma prática nova, encontrar amigos ou fazer uma pausa. O dia comporta tudo isso.

★ Lost & Found Festival ★
Sábado, 14 de novembro de 2026
Das 8h às 18h
Local Arena IMTB, Mairiporã, SP
Corrida percursos de 5 km e 10 km
Ingressos Ticket Sports

O deepbeep é parceiro do festival. Use o código DEEPBEEP10 para garantir 10% de desconto no ingresso.

Ingressos e informações em lostandfound.com.br


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Agradecimentos à Gabriela Schwartz e Lara Moraes da Combo Comunicação



Ouça a playlist de Sarah Stenzel no seu player preferido

Na playlist “Pele Elétrica”, Sarah Stenzel explora a força da música, em sintonia com o Lost & Found, onde a pista divide espaço com movimento e bem-estar.

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