Pedro Seiler

Pedro Seiler

“A planilha avisa o custo, o ouvido banca o sonho.” Pedro Seiler sobre os 15 anos do Queremos! e a insistência na curadoria humana contra a ditadura dos dados.

Há 15 anos, o Queremos! hackeou a lógica da indústria. Muito antes do streaming decidir o nosso gosto, eles criaram um sistema onde o fã pagava para ver o que realmente desejava. Hoje o cenário mudou. O mercado ficou dependente das métricas e os festivais parecem todos iguais. Mas Pedro Seiler e seus sócios continuam operando na contramão. O line-up deles não tenta ser um espelho das paradas de sucesso. É uma aposta no que vai ser relevante ano que vem. O deepbeep conversou com Pedro sobre essa zona de risco. Falamos sobre como a paisagem do Rio de Janeiro influencia o som, a saturação das telas na pista e a teimosia necessária para bancar artistas desconhecidos quando a planilha sugere o contrário. Abaixo, a entrevista. A seguir, a playlist que mistura o legado histórico do festival com o futuro que ele já está ouvindo.

Lísias Paiva, editor-fundador

O Queremos! nasceu invertendo a lógica da indústria: o fã pedia e o show acontecia. Hoje, com o streaming e o algoritmo ditando o gosto massivo, essa curadoria coletiva ainda tem a mesma força de descoberta ou a máquina mudou a forma como o fã deseja um artista?
Em 15 anos vimos muitas mudanças na forma de produzir, consumir e anunciar música, mas a magia do ao vivo não mudou. Com o excesso de informação e a atenção cada vez mais disputada, a curadoria fica ainda mais valiosa. Quando os fãs têm uma relação real com um artista, isso gera uma força única que o algoritmo não consegue replicar.

Vocês têm muitos dados na mão, mas o festival tem uma assinatura muito autoral. Onde termina a frieza da planilha de Excel e entra o instinto do Pedro Seiler? Qual é o sinal que te faz bancar uma aposta arriscada que os números ainda não validaram?
O Queremos! sempre apostou em curadoria. A planilha somente nos lembra dos custos, que nesse mercado insano muitas vezes tentam nos impedir de realizar certos sonhos. Mas estamos o tempo todo pesquisando, ouvindo e trazendo experiência. É essa troca constante com a nossa comunidade que garante o reconhecimento da marca.

O festival não acontece numa caixa preta fechada, ele é aberto, solar, respira a Marina da Glória. O Rio de Janeiro não é apenas o cenário, é quase um headliner. Como a temperatura e a paisagem da cidade influenciam a curadoria?
O Queremos! realiza shows o ano inteiro, às vezes em turnês por várias cidades, então sempre adequamos o estilo e o tamanho do artista ao local. Mas o Festival ocupa a cidade, deixando clara a relação da marca com o Rio. O line-up precisa conversar com esse ambiente aberto e solar.

O deepbeep defende a experiência presencial contra a vida na tela. O show ao vivo sempre foi o lugar da catarse coletiva. Hoje, a plateia muitas vezes assiste ao show através da tela do celular. Como produtor, como você sente essa mudança de energia na frente do palco?
Acredito que estamos num momento de transição. Grande parte do público já está saturada e ciente dos riscos do excesso de tela. Nós sempre estimulamos a experiência ao vivo e seguimos sentindo a energia de um show como algo único. Mas, inegavelmente, existe uma nova forma de viver isso que é diferente do que era antes.

Um curador vive de antecipar o futuro. O maior prazer do ofício é confirmar o gigante que todo mundo já ama ou apresentar aquele artista pequeno, do início da tarde, que ninguém conhecia e sai do palco gigante? Qual é a “droga” que te mantém nesse jogo de alto risco?
O amor pela música e a vontade de seguir realizando a missão do Queremos!, que é fortalecer a cena, apresentar nomes novos e realizar sonhos.

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