Max Blum e o som que ainda não tem imagem

Há mais de duas décadas entre música, moda e imagem, Max Blum continua procurando sons que ainda não conhece.

Há mais de duas décadas entre música, moda e imagem, Max Blum continua procurando sons que ainda não conhece.

Max Blum trabalha com música e imagem há mais de duas décadas. Seu nome está ligado a trilhas de desfiles, filmes de moda, publicidade e projetos autorais. São ambientes em que uma referência visual pode mudar completamente a maneira de ouvir uma música.

“Antigo ou novo, sempre busco algo que ainda não ouvi.”

A frase ajuda a entender por que o repertório de Max não se organiza por época ou gênero. Ele presta atenção na criatividade do artista, nos detalhes técnicos da produção e nas surpresas que aparecem durante a faixa. Uma paisagem ampla pode fazer uma música surgir na cabeça. No trabalho, ele olha uma imagem e começa a criar sons quase no mesmo momento.

“Meu gosto pessoal tende às coisas mais calmas, ambient music, field recordings, downtempo, chill out dos anos 90.”

A entrevista começa na música e chega à imagem. Depois chega à criação. Max fala sobre aquilo que o faz continuar ouvindo depois de tantos anos e sobre o que acontece quando uma imagem deixa de conduzir o som. Em Barcelona, ele voltou a trabalhar em grupo com Antoine Harispuru, o Golden Bug, depois de anos desenvolvendo projetos solo. Em 2025, os dois lançaram “Out of Time”, com Phoebe Coco.

Para o deepbeep, o pedido foi outro. Escolher músicas para acompanhar uma cena que ainda não existe.

Max escolheu 24 faixas.

Trilha para o que ainda não existe.


Lísias Paiva, criador e editor

Max, o que a música te ensinou sobre você que você só descobriu depois de começar a trabalhar profissionalmente com ela?
Descobri que meu interesse por música, como um todo, é maior do que o que tenho por algum estilo específico. Acredito que isso foi o que me permitiu trabalhar em tantos projetos diferentes até hoje.

Você trabalha com música há muito tempo. O que ainda faz você parar para ouvir uma coisa até o fim?
Essa mesma paixão pelos diversos aspectos do que estou escutando. A criatividade do artista, as surpresas causadas, características mais técnicas da produção. Antigo ou novo, sempre busco algo que ainda não ouvi.

Tem alguma imagem que você já viu e imediatamente começou a ouvir?
Meu gosto pessoal tende às coisas mais calmas, ambient music, field recordings, downtempo, chill out dos anos 90. Sendo assim, de uma maneira um pouco clichê até, rs!, paisagens amplas me estimulam muito. Por outro lado, no dia a dia do meu trabalho, devo olhar imagens e criar sons para elas quase que no mesmo momento. Então, devo dizer que quase todos esses anúncios, fashion films e desfiles despertaram e despertam essa sensação em mim.

Você também é músico. O que acontece com sua criação quando não existe uma imagem para conduzi-la?
Liberdade! Antes de tudo, sou músico e amo a sensação de criar um mundo à parte do que podemos ver. Amo as sensações que os sons podem transmitir em sua forma mais abstrata. Se minha profissão é fazer música para imagens, meu hobby é criar paisagens sonoras abstratas para meus ouvidos.

O que você está ouvindo, fazendo ou pesquisando agora que está mudando alguma coisa no seu jeito de criar?
É muito difícil eu ficar escutando os mesmos discos por muito tempo. Creio que minha inspiração vem de buscar sempre algo que ainda não ouvi, não me importa se é antigo ou novo. De uma maneira mais moderada, também gosto de manter uma certa rotatividade nos equipamentos do meu estúdio. Outra coisa, desde que deixei minha antiga parceria, a Mixhell, somente desenvolvi projetos solo. Atualmente, aqui em Barcelona, comecei a trabalhar com meu amigo Antoine Harispuru, Golden Bug, e acredito que essa seja a maior influência atual em meus trabalhos: voltar a trabalhar em grupo!

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Max Blum escolheu 24 faixas para uma cena que ainda não foi filmada. Dê o play e descubra o que aparece.

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