Lúcio Maia, música não precisa se explicar

Lúcio Maia em entrevista e playlist para o deepbeep

Entre trilha, guitarra e silêncio, Lúcio Maia trabalha a música como atmosfera, não como demonstração.

Lúcio Maia não precisa provar nada. E o novo álbum, “Lúcio Maia”, deixa isso claro desde o início. Lançado em abril, o disco não se organiza em torno da guitarra, mesmo sendo o instrumento que o colocou em evidência. Ela está ali, mas não ocupa tudo. Divide espaço, entra e sai, sustenta o ambiente sem precisar liderar o tempo inteiro. São oito faixas instrumentais que operam mais por atmosfera do que por demonstração. Psicodelia, timbres abertos, climas que mudam sem aviso. Um trabalho que flerta com velocidade e transformação, mas sem pressa de explicar o que está fazendo. Depois de décadas construindo som em grupo, o movimento aqui não é ruptura. É deslocamento. A música deixa de disputar atenção e passa a criar espaço. Na conversa com o deepbeep, Lúcio Maia fala sobre maturidade, processo e sobre por que o instrumento não precisa estar no centro para se destacar. A seleção que ele montou para a playlist “Som Como Matéria” acompanha esse caminho.

Lísias Paiva, sócio-editor

Depois de tantos anos construindo som dentro de bandas, o que muda quando você se escuta sozinho de verdade?
Já desde 2005 tenho o hábito de compor sozinho, então não é novidade para eu trabalhar sem parceria. Consegui compor todos os temas e depois convidei Rafael Cunha e Marcos Gerez. Eles colocaram a mão deles, também são autores das músicas. As coisas ganharam outra cara por causa da presença artística deles, então não sinto muita falta de compor em grupo. Eu gosto de trabalhar sozinho.

Esse novo disco não parece feito para explicar nada, mas para criar atmosfera. Em que momento o instrumento deixou de ser centro e passou a ser mais um elemento?
Acho que é uma questão de interpretação. Para mim, o disco é muito revelador e tem muitos significados. Atingi uma maturidade musical e de vivência que está registrada nele. O meu instrumento não precisa necessariamente estar no centro para se destacar. Música, para mim, é para ser ouvida e, se puder, dançada também.

A música instrumental muitas vezes vira demonstração. Em que momento você percebe que já mostrou o suficiente?
Se você se refere a virtuosismo, escalas e teoria musical, isso nunca foi o meu foco. Faço músicas para as pessoas curtirem e se sentirem bem.

As faixas têm algo de trilha imaginária, quase cenas que não existem. Quando você compõe, você está pensando em música ou em imagens?
Sempre trabalhei com trilha sonora desde o início. Fiz muitos filmes, documentários e séries, e tudo isso faz parte do meu repertório. Penso em música o tempo inteiro, não só quando estou compondo. Não tenho essa relação de pensar em uma coisa ou em outra. Eu apenas pego minha guitarra e saio tocando.

Tem som que cresce com o tempo e tem som que se esgota rápido. O que você escuta para saber a diferença?
Acredito que existe música boa e música ruim. A diferença entre uma coisa e outra está nas pessoas que fazem.

Você saiu de um lugar onde a música tinha urgência coletiva e entrou num território mais introspectivo. O que ficou mais difícil nesse caminho?
Meu primeiro disco solo é de 2007, então não comecei a fazer música sozinho agora. Não tenho nenhum problema em compor sozinho ou em grupo.

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Fotos por João Liberato

Agradecimentos ao Valtinho Fragoso da ForMusic

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