Juniper e o que o corpo entende primeiro

Juniper em retrato para o deepbeep, artista que transforma escuta, corpo e experiências em música.

Juniper leva para a música uma escuta formada pelo movimento, pelo desejo e por referências que não costumam aparecer juntas.

Juniper costuma chegar à música antes de saber exatamente o que está procurando. Uma vontade de dançar, uma lembrança, alguém que ficou na cabeça depois de um encontro. Quando uma música mexe com ela, o primeiro movimento não é explicar. Ela para para ouvir. Cresceu ouvindo salsa, forró, R&B e pop sem precisar organizar essas referências por gênero.

O corpo aparece cedo nessa escuta. Juniper diz que foi pelo movimento que esses ritmos se conectaram na vida dela. Uma música que movimenta, inspira ou emociona ganha lugar. Quando escreve, fecha os olhos, imagina uma cena ou volta a uma lembrança. Pensar demais pode travar um verso. Uma dança, uma conversa, um abraço, um cheiro ou um toque podem continuar na escrita depois que o encontro terminou.

Ela também escreve sobre encontros que atravessam defesas, sobre pessoas que chegam perto e sobre outras que passam rápido. Alguns encontros precisam acontecer, segundo Juniper, mesmo quando duram pouco. O motivo pode levar tempo para aparecer. “Não há problema algum em tomar tempo para sentir o que se sente”, diz.

“Dance With Me”, lançada em 2025, ganhou uma nova versão em 2026 e integra Fatal (Deluxe). Em 24 de setembro, Juniper lança um dance video de “Keep Me Coming”, feito com Olivia Yokouchi.

Para o deepbeep, ela escolheu Marc Anthony, Beyoncé, Alcione, Maria Bethânia, Liza Minnelli, D’Angelo e duas músicas próprias. A playlist se chama “Quando o corpo entende”. Juniper fala sobre o que faz uma música entrar em seu repertório, como uma experiência encontra palavras e por que nem tudo precisa virar música imediatamente.

Lísias Paiva, criador e editor

Juniper, quando uma emoção, uma lembrança ou uma vontade aparece, o que faz você perceber que aquilo pode virar música?
Costuma ser intuitivo. Sou uma pessoa que sente muito, então tento estar inteiramente conectada com as emoções que me atravessam, e uma forma que encontro de expressar tudo isso é também através da música e escrita.

Salsa, forró, R&B e pop fazem parte da sua escuta. O que uma música precisa provocar para entrar no seu repertório?
Sim!!! Esses são ritmos que não costumam aparecer juntos, mas de algum modo se conectam. Na minha vida, foi através do corpo e do movimento principalmente, e acredito que é aí que elas me tocam. Quando uma música ou ritmo me movimenta, me inspira e/ou emociona, eu entendo que há um pouco do meu coração ali, então eu paro, escuto e naturalmente agrego ao meu universo.

Você já escreveu sobre alguém conseguir atravessar uma defesa que parecia bem montada. O que acontece num encontro para ele chegar tão perto?
Eu acredito muito na energia das coisas e das pessoas, talvez parta daí ou do destino. Há encontros que precisam acontecer e uns são mais curtos que outros. O motivo a gente costuma entender com o tempo e a vida.

Quando você escreve, o que faz uma sensação virar palavra?
Quando eu escrevo, geralmente deixo as palavras me encontrarem. Se eu penso demais, acabo travada em um verso haha. Mas gosto de fechar os olhos e imaginar um cenário, ou me reconectar com uma lembrança, mas a sensação costuma girar em torno da conexão humana, seja uma dança, uma conversa, um abraço, o cheiro ou o toque de quem se ama ou de quem um dia se amou.

Quando alguma coisa mexe de verdade com você, o que acontece antes de virar música?
Inteira e completamente. Uma coisa que tenho aprendido é que não há problema algum em tomar tempo para sentir o que se sente, seja positivo ou negativo. Tudo faz parte de quem somos e isso é precioso demais para atropelar por medo de encarar o que quer que tenha que ser encarado ou celebrado. A arte se cria em extensão do universo que sentimos e enxergamos.

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Fotos por Felipe Adati, Olivia Yokouchi, Samanta

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Juniper escolheu músicas que chegam primeiro pelo corpo e continuam produzindo alguma coisa depois da escuta.


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