Josyara acredita na força que coloca a vida em movimento

Foto de Josyara em entrevista ao deepbeep sobre composição, violão, processo criativo, escuta e playlist exclusiva.

Cantora, compositora, violonista e arranjadora, Josyara fala sobre coragem, processo e os movimentos que transformam uma vida antes de aparecer por fora.

Nos últimos anos, poucos violões ganharam uma identidade tão reconhecível na música brasileira quanto o de Josyara. Antes mesmo da voz, é o instrumento que conduz suas composições. Não como acompanhamento, mas como parte da narrativa. Cada arranjo cria tensão, abre espaço para o silêncio, muda o peso das palavras e amplia o alcance das canções. Como compositora, intérprete, arranjadora e vencedora do WME como Melhor Instrumentista, Josyara construiu uma obra que desafia fronteiras entre técnica e emoção, delicadeza e potência.

Essa pesquisa ganha uma nova etapa em AVIA, disco lançado em 2025. A palavra, muito usada no interior da Bahia, significa seguir, fazer acontecer, colocar algo em movimento. O álbum reúne composições inéditas, parcerias com Liniker, Pitty, Juliana Linhares e Iara Rennó, além de releituras que reafirmam o violão como centro da sua linguagem. No dia 18 de julho, esse repertório chega ao palco do Sesc Bom Retiro, em um show voz e violão ao lado de Leo Mendes, com participação de Sued Nunes (Ingressos aqui).

Na conversa com o deepbeep, Josyara amplia essa investigação para além da música. Fala sobre coragem, intensidade, aprendizado e sobre as transformações que começam em silêncio, muito antes de se tornarem visíveis. A playlist Força Baixa acompanha esse percurso com canções que entendem que algumas das maiores mudanças acontecem sem precisar levantar a voz.

Marcelo Nassif, sócio editor
Com colaboração de Claudio Thorne, social media

Josyara, existe alguma força que as pessoas costumam confundir com fragilidade?
Temos muitas forças que costumam ser confundidas com fragilidade. Uma delas é a capacidade de acreditar no outro e na vida. Outra é o choro, que, para mim, é um dos remédios mais poderosos que existem. Muita gente o evita porque parece fraqueza, quando, na verdade, exige coragem para sentir as coisas até o fim.

Tem músicas que parecem crescer por dentro mesmo quando são cantadas baixinho. O que elas entendem sobre intensidade?
Acho que a música só acontece de fato quando encontra alguém. Só quem a recebe pode dizer o tamanho da intensidade com que foi atravessado por ela. Quem compõe e canta acaba sendo instrumento para que a música alcance lugares que nem sempre conhece.

O que a pressa costuma impedir que a gente perceba?
O processo. O prazer de explorar possibilidades. A liberdade de errar. A possibilidade de transformar uma coisa em outra. Mudar. Ser mudado. Amar o agora.

Você já chamou um disco de ‘Mansa Fúria’. O que normalmente nasce primeiro: a coragem ou o incômodo?
Só existe coragem quando alguma coisa já está nos movendo. Não dá para levar um barco sem temporais, como escreveu Jards Macalé. A vida acontece inteira ao mesmo tempo.

Qual mudança costuma acontecer por dentro muito antes de aparecer por fora?
O sentimento genuíno daquilo que ainda não tem nome, mas já conduz nossas escolhas. Muitas vezes, ele aparece quando reconhecemos os próprios limites e aceitamos continuar aprendizes.

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Agradecimentos à Francine Ramos pela conexão

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