Jayda G confia no sentir mais do que no plano

Jayda G em entrevista e playlist para o deepbeep

Entre intuição e observação, Jayda G constrói sets que misturam emoção, leitura de pista e adaptação em tempo real.

Jayda G não separa pista de sentimento. O que ela faz não começa na função de fazer dançar para depois ganhar significado. As duas coisas já estão ali desde o início. Isso muda a forma como o set se constrói. Não é só sequência de faixas, é leitura constante. Um ajuste que acontece enquanto a música está tocando. O corpo responde, ela observa, e a direção muda. Tem método nisso. Vem de fora da música. Formação em ciência, olhar analítico, quase como se a pista fosse um ecossistema em movimento. Cada reação importa, cada mudança de energia pede resposta. Mas não é controle. É risco. Nem toda virada encaixa. E é nesse momento que o trabalho aparece. Ajustar, recalcular, trazer a pista de volta. Esse tipo de decisão pesa ainda mais em escala grande. No Gop Tun Festival, onde ela se apresenta no sábado, dia 12, no mainstage, a margem para erro diminui e a responsabilidade cresce. Na conversa com o deepbeep, Jayda G fala sobre esse equilíbrio. Entre sentir primeiro e entender depois. Entre planejar e reagir. E sobre o que uma pista realmente consegue carregar quando você não reduz ela à função. A entrevista vem acompanhada de uma playlist para entrar nesse estado antes do set.

Lísias Paiva, sócio-fundador

COMO NÃO DESPERDIÇAR A PISTA

▶︎ COORDENADAS
Quando e Onde: Jayda G no domingo, 12/4 às 18h45 no Mainstage.

▶︎ PRESTE ATENÇÃO
Chegue antes de ter certeza do que vai ouvir. Nem toda pista começa óbvia.
★ Nem tudo que demora é erro. Às vezes só não virou ainda.
★ Olha menos para o DJ, mais para a pista. A resposta quase sempre aparece primeiro ali.
★ Nem toda troca vem para te agradar. Algumas vêm para ver se você vai junto.
★ Se você só gosta quando entende rápido, complica. Tem set que pede um pouco mais de tempo.
★ Quando parecer que saiu do lugar, fica mais um pouco. É geralmente aí que a coisa muda de verdade.
★ E quando encaixa, você nem pensa muito. Só percebe que já estava dentro.

Sua música sempre teve uma relação muito direta com sentimento e memória, mesmo na pista. Em que momento o som deixa de ser função e passa a significar algo?
A música sempre carrega significado. Mesmo quando está ali para fazer as pessoas dançarem, isso já está presente. O objetivo é fazer com que os corpos se movam de uma forma que faça sentido para cada um, e esse movimento reflete o que cada pessoa está sentindo naquele momento.
O que eu sinto acaba sendo transferido para a pista. Esse compartilhamento de energia é o que cria um momento especial. Então, para mim, o som nunca é só função. Ele sempre significa alguma coisa.

Você veio de uma formação em ciência e estudos ambientais. Como esse lado mais analítico ainda influencia a forma como você constrói um set?
Eu vejo tudo como um quebra-cabeça. Cada faixa é uma peça que precisa se conectar. No final, o set precisa fazer sentido como um todo. Também tem a observação. Como na biologia, onde você entende como os elementos de um ecossistema se relacionam, na pista é parecido. Eu observo como as pessoas se movem, como a energia muda. Isso me mostra se estamos conectados.

Seus sets mudam de direção com fluidez, mas nunca parecem aleatórios. Quando você confia nessa mudança?
Nem sempre dá para confiar totalmente. Às vezes eu faço uma transição e torço para que funcione.
Se não funciona, o trabalho é ajustar e trazer as pessoas de volta. A mudança vem de um sentimento. Se eu não estou mais sentindo aquela música, provavelmente a pista também não está.

Em que momento algo começa a ficar previsível para você?
Quando eu paro de sentir. Esse é o principal sinal. Se não está me engajando, provavelmente não está engajando ninguém.

Seu trabalho recente trouxe uma dimensão mais íntima para a pista. O que mudou na forma como você entende esse espaço?
A pista consegue carregar muita emoção. É isso que a faz ser um lugar tão especial. Dançar é uma forma de liberdade.
Eu sempre confiei nisso. As pessoas sentem o que você leva para elas. Essa é a beleza da música e da dança.

O que muda quando você sai do clube e vai para um festival como o Gop Tun?
O contexto muda tudo. Em um espaço grande, aberto, há menos margem para erro. A responsabilidade de levar todo mundo junto é muito maior. No clube, você tem mais espaço para experimentar. No festival, a energia é enorme, intensa. É diferente, mas também muito especial.
A Gop Tun foi a primeira festa em que toquei no Brasil, então voltar agora tem um significado especial para mim.

Acompanhe o trabalho de Jayda G
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Ouça “Uncomfortable” de Jayda G

Fotos por Joe Magowan

Ouça a playlist de Jayda G no seu player preferido

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