Ginger and the Peppers tratam o rock como ele merece: alto, instável e vivo

Ginger and the Peppers playlist para deepbeep no Lollapalooza

Com amplificadores no limite e riffs elétricos em choque, a banda aposta no impacto físico das guitarras para atravessar o ruído do autódromo.

O rock costuma funcionar melhor quando alguém liga o amplificador antes de pedir permissão. Guitarras entram em choque, a bateria acelera o pulso e o volume resolve discussões que não cabem no discurso. A Ginger and the Peppers trabalha exatamente nesse ponto. Entre referências que atravessam extremos de intensidade, a banda prefere deixar o barulho conduzir a conversa. No dia 20 de março, às 12h, esse tipo de descarga chega ao Palco Samsung Galaxy no Lollapalooza. Enquanto o autódromo começa a ganhar movimento, o grupo entra com a tarefa simples de qualquer banda de guitarras: transformar um palco aberto em impacto coletivo. Na conversa com o deepbeep, o grupo fala sobre composição, identidade sonora e a velha arte de fazer amplificador soar maior do que o próprio palco. O papo vem acompanhado do pedido de playlist A Engenharia do Som, um mapa das músicas que ajudam a entender de onde nasce essa eletricidade.

★ BÔNUS: Ao final do papo, confira o Rider Técnico de Pista para curtir o show da Ginger and the Peppers: nossa curadoria tática com os detalhes invisíveis do show e a harmonização ideal para inaugurar os trabalhos em Interlagos.

Lísias Paiva, sócio-fundador

Bandas sempre foram pequenas sociedades em movimento. Cada instrumento puxa o som para um lado, cada integrante traz um repertório diferente. Em que momento vocês perceberam que essa mistura tinha virado identidade sonora?
Nunca vimos os nossos gostos pessoais como uma fricção musical, mas sim como algo que uniu a gente ainda mais e criou a identidade sonora da Ginger and the Peppers. Temos influências pessoais que variam do pop até o metal. Desde o começo da banda tentamos juntar tudo de uma maneira natural.
Com o nosso álbum IT SMELLS LIKE GINGER, conseguimos encontrar um ponto ideal para cada influência brilhar e transformar tudo isso em uma sonoridade renovada. Com o tempo, isso só vai se apurando cada vez mais. Agora, com o novo álbum em processo de produção, sentimos que chegamos ainda mais perto dessa sonoridade da GATP.

O rock alternativo sempre viveu da tensão entre melodia e ruído. No trabalho de vocês, as duas forças convivem no mesmo espaço. Como essa dinâmica entra no processo de composição antes da música chegar ao palco?
Cada vez mais estamos apurando a identidade sonora da GATP e entendendo o que as nossas músicas pedem. Estamos percebendo que queremos ouvir um som bem rock and roll, com melodias energéticas e o ruído de instrumentos de verdade.
É tudo sobre energia. Levamos isso em consideração desde a primeira etapa de composição. Já trazemos riffs e melodias vocais que comportam e nos fazem sentir essa energia.

Vocês chegam ao Lollapalooza em um ambiente de estímulo constante e de público muito diverso. O que precisa permanecer intacto no som da banda para que o show continue reconhecível mesmo dentro de um festival dessa escala?
Quando compomos nossas músicas, sempre miramos em fazer algo que soe gigantesco, como se fosse para um estádio. Essa mentalidade é muito importante para nós porque, independentemente do tamanho do show, vamos entregar uma performance digna de estádio.
Queremos sempre mostrar a grandeza do som e da performance. O rock pede emoção pura e não filtrada. O que estivermos sentindo no dia será o que vamos entregar. Isso significa que o show será único.

A internet acelerou a circulação da música e transformou bandas em conteúdo contínuo. No meio desse fluxo, qual parte do processo criativo vocês preferem proteger do ritmo das redes?
Na verdade, essa é a primeira vez que estamos compartilhando todo o nosso processo de criação de um álbum novo nas redes sociais. Normalmente o comum é compartilhar informações apenas durante o processo de divulgação do lançamento.
Mas para esse novo álbum, decidimos mostrar todas as etapas. Isso deixa tudo mais especial porque os seguidores estão vendo a música ainda em estágio inicial e podem acompanhar toda a criação e gravação até o lançamento. A reação tem sido muito legal. As pessoas estão curtindo participar desse processo.

Muita gente descobre bandas pela primeira vez em festivais. Quando alguém esbarra no show de vocês por acaso, qual sensação vocês gostariam de deixar na cabeça dessa pessoa?
Esperamos despertar uma energia e uma emoção descontroladas dentro da pessoa, da mesma forma que o rock despertou em cada um de nós.
Queremos que o ouvinte pense: “Que porra louca é essa? Quero mais.” Queremos que as pessoas se entreguem ao som e ao momento, vivendo intensamente o presente.

RIDER TÉCNICO DE PISTA PARA ASSISTIR GINGER AND THE PEPPERS

▶︎ COORDENADAS
Onde. Sexta 20/03 às 12h no Palco Samsung Galaxy. ★ O Cenário. O meio-dia de sexta marca o momento exato em que o autódromo espreguiça e entende que o fim de semana finalmente começou. A Ginger and the Peppers liga os amplificadores nessa hora com a missão deliciosa de acordar o festival inteiro na base da guitarra e da energia vital. ★ O Veredito. O despertador mais elétrico e bem-vindo de Interlagos. Um convite descarado para sacudir a letargia do trânsito e injetar uma dose letal de rock and roll na veia antes mesmo do almoço.

▶︎ PRESTE ATENÇÃO
★ A Geografia do Impacto. A física de um show de guitarras ao meio-dia exige inteligência. Abandone a sombra das tendas lá no fundo e caminhe reto em direção à grade central. É o ponto de convergência onde o vento não rouba o peso da bateria e o riff acerta o estômago com precisão cirúrgica. ★ A Etiqueta da Voltagem. A energia de estádio que eles entregam pede o corpo em movimento. Nada de braços cruzados avaliando a afinação. A regra é soltar a gravidade, deixar a eletricidade da banda dominar a postura e bater o pé no asfalto com a mesma urgência de quem acabou de descobrir o rock alternativo. ★ A Alquimia da Mixagem. Observe a mágica suada rolando no palco. O segredo deles não é apenas tocar alto. A inteligência mora em como a melodia acessível sobrevive intacta e brilhante no meio de uma parede de ruído, provando que distorção analógica também é uma forma muito sofisticada de carinho.

▶︎ HARMONIZAÇÃO SONORA
O Mood. Uma garagem de ensaio ensurdecedora e ensolarada transplantada para o gramado gigante. ★ O Look. Camiseta de banda desgastada com bermuda de sarja para aguentar o calor frontal e o tênis mais confortável do armário porque a pista de rock não perdoa solado limpo. ★ O Drink. Cerveja clara absurdamente gelada marcando o primeiro gole do dia. O som é uma descarga elétrica pura e o corpo pede um combustível rápido e refrescante para acompanhar o choque térmico das guitarras.

Acompanhe o trabalho da Ginger and the Peppers
Ginger and the Peppers no Instagram
Ginger and the Peppers no YouTube
Ginger and the Peppers no TikTok
Ginger and the Peppers no Spotify
Ginger and the Peppers no Deezer

Fotos por Antonio Marroquin

Agradecimentos à Alice Ferreirinho pela conexão

.


.

No deepbeep, a conversa começa com música.
Toda semana, novas histórias em forma de som. Assine a newsletter no rodapé.

Quer levar essa curadoria para a sua marca?
Fale com a gente: falecom@deepbeep.com.br

Ouça também