
Na entrevista e playlist para o deepbeep, Gabriel do Borel fala sobre pertencimento, comunidade e uma cultura que já transformava vidas muito antes de ganhar reconhecimento global.
Antes de ocupar playlists globais, festivais internacionais e colaborações entre artistas de diferentes países, o funk já organizava uma forma de estar no mundo. No Complexo do Borel, onde Gabriel do Borel nasceu e cresceu, essa força aparecia no baile, na comunidade, nos códigos de convivência, nas histórias cantadas em voz coletiva e na capacidade de transformar dificuldade em alegria compartilhada. Seria fácil contar essa trajetória como uma história de ascensão. A conversa segue por outra entrada.
Para Gabriel, o funk não se tornou cultura quando o mundo começou a prestar atenção. Ele já era cultura, linguagem, comportamento e identidade. O que mudou foi o olhar. Por isso a entrevista fala menos sobre reconhecimento e mais sobre pertencimento. Menos sobre conquista de espaço e mais sobre a força de uma cultura que continuou existindo quando ainda era tratada como problema.
A playlist “Antes de Virar Movimento”, reunida pelo próprio Gabriel, amplia essa leitura. Entre Cidinho & Doca, MC Marcinho, Claudinho & Buchecha, Bonde do Tigrão, MC Sapão, DJ Marlboro, Racionais MC’s e Bob Marley, a seleção funciona como um mapa afetivo de referências, experiências e vivências anteriores ao reconhecimento global. Na entrevista ao deepbeep, Gabriel do Borel fala sobre funk, comunidade e pertencimento. A playlist ajuda a entender referências, experiências e afetos que ajudaram essa cultura a existir, crescer e permanecer antes do reconhecimento chegar.
Lísias Paiva, criador e editor
Gabriel, você cresceu vendo o funk ser tratado como problema por muita gente e hoje vê artistas do mundo inteiro olhando para ele como referência. O que mudou mais rápido, o funk ou o olhar sobre o funk?
Acho que o olhar sobre o funk mudou mais rápido. O funk sempre foi criativo, inovador e conectado com a realidade de quem vive a periferia. O que mudou foi que o mundo começou a prestar atenção. Hoje as pessoas entendem que o funk não é só um gênero musical, é cultura, linguagem, comportamento e identidade.
Qual foi a primeira música que fez você perceber que som também podia ser poder?
Não foi uma música específica. Foi perceber o impacto que o funk tinha nas pessoas. Ver uma comunidade inteira cantando a mesma música, se identificando com a mesma história e encontrando alegria mesmo em meio às dificuldades me fez entender que música é muito mais do que entretenimento. Música conecta, representa e transforma.
O sucesso costuma transformar culturas vivas em estética. Como você percebe quando alguma coisa ainda tem verdade e quando virou apenas linguagem visual?
A verdade está na intenção. Quando existe vivência, respeito e conexão real com aquilo que está sendo feito, as pessoas sentem. Quando vira apenas estética, geralmente falta profundidade. Eu acredito que cultura não é fantasia. Cultura é história, é experiência, é pertencimento.
Tem alguma regra não escrita do baile que pessoas de fora quase nunca entendem?
Respeito. O baile sempre foi um espaço coletivo. Existe uma troca de energia, um senso de comunidade e uma série de códigos que não precisam ser falados. Quem frequenta entende naturalmente que o baile é um lugar de expressão, convivência e pertencimento.
O que ainda faz você acreditar que uma música pode mudar alguma coisa além da pista?
As histórias que chegam até mim. Pessoas que encontraram motivação, felicidade, autoestima ou até oportunidades através da música. Quando uma música atravessa a vida de alguém, ela já mudou alguma coisa. Nem sempre a mudança é gigantesca, mas ela existe.
Acompanhe o trabalho de Gabriel do Borel
Gabriel do Borel no Instagram
Gabriel do Borel no YouTube
Gabriel do Borel no TikTok
Gabriel do Borel no Soundcloud
Gabriel do Borel no Spotify
Gabriel do Borel na Apple Music
Gabriel do Borel no Deezer
Gabriel do Borel no X
Fotos por Brabo
Agradecimentos à Larissa Martin da Omim Comunicação
Ouça a playlist de Gabriel do Borel no seu player preferido
Para acompanhar sua entrevista ao deepbeep, Gabriel do Borel reuniu músicas que ajudam a entender o funk como cultura, identidade e pertencimento. Uma seleção sobre referências que existiam muito antes do reconhecimento chegar.
.
.
.
A música organiza mais coisas do que parece. Toda semana, novas entrevistas, playlists e conversas sobre cultura, comportamento e o mundo que existe ao redor do som. Assine a newsletter do deepbeep no Substack.
Para projetos, parcerias e curadoria cultural: falecom@deepbeep.com.br