
No Gop Tun Festival, Ana CMP organiza o mainstage e entra como DJ para decidir o tempo de mexer na pista antes que ela peça o óbvio.
Ana CMP não entra para resolver rápido. Tem set que entrega na primeira. A pista responde, levanta, parece que funcionou. Quinze minutos depois, já está tudo igual de novo. Ela evita esse caminho. Prefere segurar quando a resposta vem fácil demais, mudar antes que vire repetição e construir um pouco mais antes de entregar. Não é resistência por estilo. É leitura. Nem tudo que funciona na hora sustenta um set inteiro. Existe uma diferença entre responder e conduzir. Entre tocar o que a pista já pediu e decidir mudar antes que isso vire automático. No set dela, essa decisão não é fixa. Às vezes é insistir um pouco mais. Às vezes é sair do caminho por alguns minutos. Às vezes é ceder, mas tarde o suficiente para não esvaziar. Não é sobre controle. É sobre tempo. Nesta edição do Gop Tun Festival, essa relação com o tempo aparece em duas frentes. Ana CMP assina a operação do palco principal como stage manager e, no mesmo festival, entra como DJ na pista Não Existe no domingo, às 13h. Ela organiza o fluxo e depois entra nele. Essa conversa faz parte da série do deepbeep, onde esse tipo de decisão fica mais exposto. Mais gente, mais ruído, menos margem para erro. A playlist que ela criou para o deepbeep segue essa mesma lógica. Não entrega tudo de primeira.
Lísias Paiva, sócio-fundador

COMO NÃO DESPERDIÇAR A PISTA
▶︎ COORDENADAS
★ Quando e Onde: Ana CMP no domingo, 12/4 às 13h00 na Não Existe.
▶︎ PRESTE ATENÇÃO
★ Nem todo set começa no minuto em que você chega. Se você entra já cobrando entrega, você perde a construção.
★ Ansiedade encurta pista. Se nada pode demorar, tudo vira igual muito rápido.
★ Tem hora que não é sobre gostar ou não. É sobre entender para onde aquilo está indo.
★ Se você precisa de confirmação o tempo todo, você vira refém do óbvio.
★ Tem mudança que não vem com aviso. Ou você percebe ou perde.
★ Ficar até o momento certo é uma escolha. E quase ninguém faz.
★ Quando encaixa, não é surpresa. É porque você não saiu antes.
Tem set que entrega tudo rápido e set que segura. O seu costuma segurar. O que te faz decidir não dar o que a pista acha que quer naquele momento?
Geralmente, quando isso funciona, as pessoas entram mais na viagem e a resposta vem mais forte depois. Mas, claro, também exige sensibilidade: se você insiste demais num caminho que não está conectando, tem que saber a hora de confiar na sua leitura e a hora de ceder também.
Já teve algum momento em que você percebeu que a pista queria uma coisa e você decidiu ir contra mesmo assim? O que aconteceu?
Já, mas não de um jeito teimoso ou de “vou provar meu ponto”. Às vezes, a pista parece querer uma coisa muito óbvia ou imediata. Prefiro segurar um pouco, mudar de caminho por alguns minutos e construir melhor antes de entregar.
Quando você está tocando, qual é o primeiro sinal de que precisa mudar o rumo antes da pista perceber?
Quando estou tocando, costumo olhar bastante para as pessoas. Inclusive, gosto de chegar um pouco mais cedo para entender quem está ali, qual é a energia do lugar e o que faz sentido para aquele momento. Acho fundamental essa conexão e estar sempre atento à resposta do público.
Hoje muita coisa já nasce pronta para viralizar e repetir. O que você corta na hora para não cair nesse lugar?
Acho mais interessante quando o set tem personalidade do que quando ele só replica uma fórmula que já está funcionando.
Às vezes não tem muito como fugir também. Tem coisas que viram tendência porque realmente funcionam, criam conexão e fazem sentido naquele momento. Acho que a diferença está mais em como você usa isso. Mesmo quando vou por um caminho mais óbvio ou mais direto, tento colocar alguma personalidade ali, algum detalhe que tenha a ver comigo e com a forma como construo o set.
Fora da cabine, o que você escuta quando ninguém está esperando nada de você?
Escuto muitos estilos, principalmente reggae, dub e steppa. Amo um sambinha no domingo de sol. Rap e R&B também. E, claro, escuto muito os gêneros que acabam regendo minha pesquisa, como balearic e house.
Acompanhe o trabalho de Ana CMP
Ana CMP no Instagram
Ana CMP no YouTube
Ana CMP no Soundcloud
Onegai de Ana CMP no Bandcamp
Ana CMP no Linkedin
Fotos por Isabelle Bonfim e Camilla Gonçalves
Ouça a playlist da Ana CMP no seu player preferido
.
.
No deepbeep, a conversa começa com música.
Toda semana, novas histórias em forma de som. Assine a newsletter no rodapé.
Quer levar essa curadoria para a sua marca?
Fale com a gente: falecom@deepbeep.com.br