
Fundador do TMDQA!, Tony Aiex reúne descobertas que chegaram por indicação de outras pessoas e pensa sobre o que acontece quando uma música passa de mão em mão.
Quem apresentou a você uma banda que virou favorita? Quem enviou aquela música que ficou na cabeça por semanas ou colocou um disco para tocar numa viagem? A descoberta tem um som, mas também tem uma história. E, muitas vezes, a gente se lembra de quem mostrou a música tanto quanto da própria música.
Tony Aiex trabalha há quase duas décadas apresentando artistas ao público. À frente do TMDQA!, site criado em 2009, acompanhou mudanças na maneira de descobrir, compartilhar e consumir música. A experiência também tem um lado pessoal. Quando criou o site, atravessava uma fase difícil e mergulhou nos discos. At The Drive-In, Queens of the Stone Age, The New Amsterdams, Paramore e Bomb The Music Industry! estão entre as descobertas daquele período que ele guarda na memória.
As plataformas conseguem aproximar gêneros, cenas e ouvintes com uma precisão que produz boas recomendações. Tony reconhece esse mérito, mas aponta para algo que os sistemas têm dificuldade de captar. Uma indicação feita por alguém carrega a experiência de quem recomenda, a relação entre duas pessoas e a possibilidade de uma música encontrar um significado inesperado na vida de quem escuta. Ele nunca se esqueceu de recomendações que mudaram sua vida. As sugestões das telas, por melhores que sejam, ainda ocupam outro lugar na memória.
Na playlist “Foi Alguém Que Me Mostrou”, Tony recupera músicas que chegaram até ele por outras pessoas e faixas que continuam apresentando a novos ouvintes. De Bidê ou Balde a Against Me!, a seleção percorre diferentes momentos e territórios do seu repertório. Na conversa com o deepbeep, ele fala sobre as descobertas que ficam, as conversas que começam em torno de uma música e o que quase vinte anos de trabalho ensinaram sobre a presença dela na vida das pessoas.
Lísias Paiva, criador e editor
Com colaboração de Claudio Thorne, redes e comunidade
Arte por Mateus Nicastro
Tony, em que momento descobrir uma música deixa de ser consumo e vira uma história que você quer contar para outra pessoa?
Acho que, quando você quer compartilhar uma música com outra pessoa especificamente, é necessário ter uma história com aquela pessoa, e aí as coisas acabam fluindo e se conectando: a admiração pelo artista reflete na tua admiração por aquela pessoa e você quer conectar mundos. Já no caso de contar histórias para milhares de pessoas, como a gente faz em um veículo, acho que o grande ponto de virada é quando você entende que o que aquele artista está dizendo, e da forma como está dizendo, irá reverberar com muita gente, então você sente vontade de criar pontes.
Hoje qualquer plataforma consegue recomendar uma faixa. O que uma pessoa ainda percebe que um algoritmo não percebe?
Os algoritmos se baseiam muito em conexões de gêneros musicais, de cenas e de interações que fazem muito sentido e, de fato, acabam gerando boas recomendações, mas eles não conseguem perceber outras nuances. Algumas delas são histórias que os artistas estão contando em seus lançamentos, a vontade do ouvinte de se aventurar em novos caminhos e até mesmo conexões no mundo offline que o usuário da plataforma teve e não foram captadas pelos algoritmos.
Agora, fundamentalmente, pra mim, a maior diferença é que eu nunca vou me esquecer de indicações feitas por pessoas e que acabaram mudando a minha vida. Já as recomendações dos algoritmos e das telas, por melhor que sejam, não têm lugar especial reservado em meu coração (risos).
Qual descoberta musical coincidiu com uma mudança importante na sua vida?
Quando eu criei o TMDQA! em 2009, estava passando por uma fase pessoal terrível e mergulhei de cabeça na música. Não tinha ninguém ao redor pra me recomendar nada, mas eu fiz muitas descobertas nesse período. Tudo isso ficou cravado na minha mente eternamente enquanto eu ouvia, consumia e começava a escrever a respeito.
Acho que, se fosse fazer um Top 5 dessa época, seriam cinco discos:
- At The Drive-In, Relationship of Command
- Queens of the Stone Age, Rated R
- The New Amsterdams, At the Foot of My Rival
- Paramore, Riot!
- Bomb the Music Industry!, Get Warmer
Existe alguma conversa que só começa por causa de uma música?
Acho que depende do ambiente. Nunca pensei muito a respeito e talvez seja difícil cravar que uma conversa só começa por causa de uma música. Mas eu acho que depende muito de ambientes. Ir a um show, tomar um café com alguém ouvindo um disco, se encontrar com amigos ou ir a uma festa com uma trilha sonora são situações que, definitivamente, proporcionarão boas conversas musicais.
Depois de quase vinte anos apresentando artistas para tanta gente, qual foi a maior surpresa que a música te deu sem estar na música?
Acho que foi o fato de que “música” é uma palavra só, mas tem dezenas de camadas. Trabalho, conexão, humanidade, viagens, turismo. É muita coisa. A cada ano que passa, eu percebo mais e mais como a música faz parte da vida das pessoas em praticamente todos os momentos. Feliz de quem percebe!
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Foi Alguém Que Me Mostrou, por Tony Aiex, criador do TMDQA!. Músicas que chegaram por indicação de alguém e seguem encontrando novos ouvidos.
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