
Cantora e compositora, Tuany fala sobre intuição, autonomia e o exercício de reconhecer a própria voz em meio ao ruído.
As decisões mais importantes raramente começam por uma resposta. Elas começam por uma disputa. Existe a voz do medo. A da ansiedade. A das expectativas dos outros. Existe a memória, a dúvida e, em algum lugar, uma intuição que quase sempre fala mais baixo. Distinguir uma da outra talvez seja um dos aprendizados mais difíceis da vida adulta.
É esse território que atravessa a obra de Tuany. Suas músicas não transformam vulnerabilidade em identidade nem oferecem soluções rápidas. Elas observam o momento em que alguém deixa de responder automaticamente ao barulho e passa a construir uma relação mais honesta com a própria escuta.
Na entrevista ao deepbeep, Tuany fala sobre coragem, intuição e sobre as histórias que contamos para nós mesmos antes de tomar uma decisão. A playlist “Trégua” acompanha essa conversa com músicas que atravessam períodos de mudança, reorganizam pensamentos e ajudam a recuperar a própria direção.
Lísias Paiva, criador e editor
Tuany, qual conversa você acha que as pessoas mais evitam ter consigo mesmas?
Sobre os próprios medos. Sobre aquilo que realmente apavora você e que não quer enfrentar de jeito nenhum.
Tem músicas que parecem organizar um pensamento que estava fazendo barulho há semanas. O que a música consegue colocar no lugar?
A música parece organizar os nossos sentimentos, por mais caóticos que eles sejam. Pelo menos comigo é assim. Quando a minha cabeça está completamente fora do lugar, ou cheia de pensamentos ao mesmo tempo, a música me ajuda a parar, me concentrar e entender o que está acontecendo dentro de mim.
Existe alguma mentira que a ansiedade conta muito bem?
Sim. A de que a gente não é capaz. A ansiedade tem o poder de paralisar você, de impedir que viva experiências por acreditar que não consegue enfrentá-las.
Como perceber a diferença entre uma intuição e um medo disfarçado?
Eu percebo pelo impulso. A minha intuição chega do nada. É como a voz de uma mãe aconselhando você a não fazer alguma coisa. E eu simplesmente não luto contra essa voz. O medo é diferente. Ele permanece por muito tempo, leva minha cabeça para vários cenários hipotéticos de destruição, alimenta a angústia e insiste em ficar.
O que costuma mudar primeiro quando alguém finalmente encontra o próprio lugar?
A forma como você se enxerga, se ama e se acolhe. A gente passa a ter mais carinho e respeito por si mesma. A partir daí, todo o entorno começa a mudar.
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Fotos por Pedrigs e Pietro Leonardi
Agradecimentos ao Valtinho Fragoso da ForMusic
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