
Entre pista, humor e brasilidade, Jude Paulla transforma leveza em presença e faz da música um espaço de encontro.
Jude Paulla entende pista como conversa. Mesmo quando está em frente a uma câmera. DJ, apresentadora e criadora de conteúdo, ela construiu uma linguagem própria misturando humor, música, brasilidade e um jeito de comunicar que parece menos performance e mais troca direta. Existe uma sensação de acolhimento no que ela faz. Mas também de catarse. Nos sets, nos vídeos e até nos stories, tudo parece partir da mesma intenção: fazer as pessoas cantarem alto, rirem, dançarem e saírem um pouco mais leves do que chegaram. Ao mesmo tempo, a música vem ocupando outro tamanho dentro da própria vida dela. Mais recentemente, Jude começou a mergulhar também na produção musical e no trabalho de estúdio, aprofundando pesquisas sonoras que já atravessavam seus sets há bastante tempo. No dia 24 de maio, ela leva essa mistura de pista, narrativa e brasilidade ao C6 Fest, em São Paulo. Na conversa com o deepbeep, Jude Paulla fala sobre internet, linguagem e sobre como construir presença sem transformar tudo em personagem. A playlist “Brasilidade em Movimento” acompanha esse estado. Daniela Mercury, Jorge Ben, Caetano Veloso, Rita Lee e Rachel Reis aparecendo entre desejo de cantar junto, memória afetiva e pista cheia.
Marcelo Nassif, sócio-editor
Você atua como DJ, apresentadora e criadora de conteúdo em um mesmo gesto que combina público, narrativa e energia. O que você considera o centro do seu trabalho quando pensa em tudo isso junto? O que realmente move o seu ofício hoje?
Acho que é meio por fases. Em cada época, uma dessas frentes vira o centro do meu trabalho, o que me dá um equilíbrio bom. Mas, hoje em dia, não me vejo vivendo sem a música como centro do meu trabalho e base de tudo. Descobri recentemente o prazer de estar dentro de um estúdio produzindo e, se eu pudesse, viveria disso. Hahaha. Tem sido uma doce descoberta. Pesquisas que já faço há muito tempo, mas hoje de forma mais focada porque sinto que encontrei uma sonoridade que me define bem neste momento.
Suas brasilidades, seu humor, sua atitude e o jeito direto de se comunicar criam um estilo muito específico que atravessa tanto o set quanto o vídeo e a conversa. O que você reconhece como a sua assinatura mais verdadeira? Em que momento você percebe que algo carrega a sua marca?
Com certeza, meu jeito de comunicar. Tanto em vídeo quanto na música. Tenho a impressão de que, por mais que sejam meios de comunicação diferentes, eles querem dizer a mesma coisa. Tanto na hora em que estou ali nos stories falando quanto quando estou fazendo um set.
A cultura digital pede velocidade o tempo inteiro e transforma tudo em performance, até o cotidiano. Como você constrói algo autêntico e artesanal dentro desse ambiente acelerado? O que te ajuda a não se deixar reduzir à lógica da pressa?
Não cedo à pressa. Às vezes acho até que deveria entrar só um pouquinho nessa pressão, mas venho de muitos anos na internet, conquistei meu nicho e já passei pela fase em que essa pressão adoece. Hoje em dia, consigo fazer meus conteúdos de forma mais leve, sem me cobrar tanto, e encaixar isso de uma forma orgânica e ainda assim atualizada. Ceder às urgências faz com que as coisas saiam mais do mesmo.
Um set, um Giro de Notícias, uma conversa sobre empoderamento ou um momento de humor parecem nascer da mesma fonte criativa, cada um do seu jeito. Como a ideia começa para você? O que costuma acender o primeiro movimento do seu processo?
Primeiro vem o pensamento. Depois, em cima disso, desenvolvo o que quero tirar da minha mente. Tudo vem muito natural e, de alguma forma, tenho um pouco do bom senso de entender que aquilo vai fazer sentido para quem está ouvindo, dançando e por aí vai.
O seu trabalho toca o público pela música, pela fala, pela presença e pela liberdade que você comunica. O que você espera que as pessoas levem de você depois de um set ou de um conteúdo? Qual é a conversa ou a sensação que você gostaria de deixar reverberando?
Quando estou na internet, gosto que as pessoas que estão assistindo vejam algo leve, mas entendam também que existe muita responsabilidade até nas coisas mais tranquilas que falo. Às vezes alguém teve um dia pesado e só quer entrar ali para ter leveza e desanuviar. Então, se isso já fez bem para alguém, eu fico mais do que satisfeita. Quando estou num set, me imagino bordando — coisa que amo fazer — e costurando uma história que faça sentido para quem está ali na pista. Quero que a pessoa cante aos berros para exorcizar seja lá o que for, que dance, que seja gostoso e que volte para casa feliz por ter cantado determinada música na pista.
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