S4TAN do funk à pressão na pista

s4tan em entrevista para o deepbeep. Ouça a playlist exclusiva.

Entre diferentes vertentes, S4TAN constrói sets em etapas, trabalhando ritmo, intensidade e resposta até o limite da pista.

S4TAN não parte de um único som. O caminho passa por rock, pop, eletrônico e techno até chegar no funk, que hoje sustenta o centro do seu trabalho. Essa mistura não aparece como referência. Vira estrutura. Um som que trabalha repetição, peso e impacto direto no corpo. Mas nada disso acontece sozinho. Ele insiste na convivência, na troca e na cena como parte fundamental da construção. O que parece individual nasce de um ambiente coletivo. A internet amplia o alcance, mas não resolve o processo. Conecta, mas não substitui a construção. Na pista, o pensamento é progressivo. O set se organiza em etapas. Técnica, interação, ápice. Não é sequência de faixas. É construção de energia ao longo do tempo. Na conversa com o deepbeep, S4TAN fala sobre esse processo, sobre como mantém o funk como eixo mesmo atravessando outras vertentes e sobre o que sustenta seu trabalho dentro e fora da internet. A playlist acompanha esse movimento.

Claudio Thorne, Social Media

Sua música, seja nos sets ou nas produções, tem uma energia intensa e quase ritualística. O que te atrai nessa sonoridade mais pesada? É uma busca por impacto físico no corpo ou uma forma de expressar um sentimento mais cru e urgente?
Eu sempre fui uma pessoa muito eclética musicalmente. Quando era adolescente, eu ouvia rock, passei a consumir pop, depois música eletrônica, e me atraí muito pelo techno e hardstyle. Consequentemente, cheguei no funk. Acho que a mistura de tudo isso moldou esse meu gosto intenso e, muitas vezes, pesado, que no final de tudo acaba sendo a minha paixão musical transmitida de outra forma para as pessoas.

Qual é a importância de ter uma comunidade ou cena artística ao seu redor para desenvolver um som que desafia o mainstream? A troca com outros artistas influencia seu trabalho solo?
Aprendi com a vida que não se faz música sozinho. Todo o meu trabalho é um reflexo da evolução artística que tive na convivência com outros artistas. Eu pesquiso música quase que diariamente, porém a individualidade de outras pessoas muda completamente a forma como enxergamos a música e o cenário.

O deepbeep se interessa por como algoritmos podem criar bolhas. Para um artista como você, como vê o papel da internet hoje? Ela conecta sua música a públicos globais ou ainda dificulta que sons fora do pop sejam descobertos?
Eu acho incrível como a internet consegue propagar a arte. Uns meses atrás, vi um vídeo de um desfile de roupa na Índia no qual usavam meu remix de “Álibi” como trilha sonora. Sem a internet, eu jamais conseguiria alcançar um público tão distante. O importante de qualquer ferramenta é saber como usá-la, mas não depender 100% dela, para que ela ajude, porém não seja o único fio condutor da sua arte.

No estúdio, como nasce sua música? Você começa com uma batida, com texturas mais pesadas, ou com a imagem de uma pista de dança e a reação das pessoas?
Cada música tem sua forma individual de ser produzida. Às vezes vem de um tema, de uma melodia que surge do nada, da ideia de usar um sample ou de uma letra. É bem único como cada música é produzida, mas eu gosto de deixar o processo fluir e, depois que toda a parte criativa se esvai, realmente pensar em como aquele trabalho vai atingir da melhor forma o público e como aquele som pode ser amplificado para passar sua mensagem.

Quando você toca, seu set passa por diferentes momentos até chegar no ápice. No seu trabalho, que tem o funk como base e dialoga com outras vertentes, o que você busca construir na pista ao longo desse percurso?
Meu set é separado em etapas. No começo, eu quero que as pessoas enxerguem mais técnica, então faço mashups ao vivo, com transições mais rápidas e notáveis, ficando mais introspectivo, com o foco no DJ set. No segundo momento, eu foco em performance e interação, tocando meus trabalhos mais conhecidos e músicas para interagir mais com o público, criando uma conexão. Já no momento final, elevo o meu set ao seu ápice, para que as pessoas saiam dali completamente extasiadas e suadas, se divertindo com tudo o que eu pude proporcionar.

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