
Reconhecimento, convivência, música e as marcas que as pessoas deixam umas nas outras.
Todas as noites, milhões de pessoas acompanham João Victor Gonçalves na novela das nove. Na ficção, seu personagem atravessa conflitos ligados a pertencimento, identidade e reconhecimento. Fora da tela, a palavra reconhecimento aparece de outro jeito. Logo no começo da entrevista, João faz uma distinção simples. Ser conhecido não é a mesma coisa que ser reconhecido.
Ao longo da conversa, essa ideia reaparece sob diferentes formas. No impacto que alguém causa na vida de outra pessoa. No esforço necessário para compreender experiências que nunca vivemos. E no tempo que leva para conhecer alguém para além da primeira impressão.
A playlist “As Músicas Que Chegaram Junto” acompanha esse movimento. Entre Skank, Billy Joel, Elton John, Liniker, Ney Matogrosso e Lady Gaga, João reúne artistas ligados a encontros, descobertas e momentos que continuaram fazendo sentido muito depois de acontecerem. Na conversa com o deepbeep, João Victor Gonçalves fala sobre música, reconhecimento e sobre as marcas que as pessoas deixam umas nas outras.
Marcelo Nassif, sócio editor
Qual é a diferença entre ser conhecido e ser reconhecido?
Ser conhecido, muitas pessoas são, por coisas boas e por coisas ruins. Mas ser reconhecido é perceber que algo que você fez ou faz mudou a vida de alguém de alguma forma. É como tocar o outro e transformar muitas situações.
Existe alguma situação da vida que parece estranhamente silenciosa sem música?
Amar é a mais forte delas. Amar sem música fica vazio. Ela guia o sentimento, abraça e acolhe.
Você já precisou interpretar pessoas muito diferentes de você. O que costuma ser mais difícil de compreender num personagem: aquilo que você nunca viveu ou aquilo que se parece demais com você?
Acho mais difícil interpretar aquilo que nunca vivi. Isso desafia a criatividade e faz mergulhar em um universo que, no repertório pessoal, é irreal. Então é preciso fazer um trabalho de pesquisa muito minucioso.
Existe alguma emoção que as pessoas tentam esconder e acabam revelando justamente por causa do esforço para escondê-la?
Acredito que as emoções são difíceis de esconder, mas acho que a tristeza é a mais difícil de todas. Mesmo quando alguém parece feliz, se está triste, o olhar conta a verdade. E a tristeza acaba sendo revelada.
O que costuma ser mais enganoso numa primeira impressão?
Acho que muita coisa é enganosa numa primeira impressão. A gente só conhece alguém de verdade com o tempo, quando as máscaras não se sustentam.
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Fotos por Fábio Wanderley e Ieda Ribeiro
Agradecimentos à Maria Carvalho da Ieda Ribeiro Select
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