Aline Rocha lembra ao Lollapalooza que groove move multidões

Aline Rocha playlist deepbeep no Lollapalooza

A DJ mostra como o groove, a leitura de pista e a musicalidade continuam sendo a base da cultura do clube.

Antes de qualquer drop existe uma decisão fundamental: onde colocar o groove. Aline Rocha construiu sua trajetória justamente nesse ponto de equilíbrio entre a técnica e a leitura de pista. No dia 20 de março, às 15h30, ela abre a programação do Palco Perry’s no Lollapalooza. Em um horário em que o público ainda está encontrando o ritmo do festival, o set da DJ promete criar uma ponte entre a tradição da House e da Disco e a energia coletiva de um grande evento. Na conversa com o deepbeep, Aline fala sobre adaptação de set para espaços abertos, sobre narrativa sonora em tempos curtos e sobre o papel da discotecagem como experiência compartilhada. O papo vem acompanhado da playlist Fundação e Groove, uma seleção das faixas que moldaram o ouvido da artista e ajudam a entender como ela pensa vocal, swing e construção de pista.

★ BÔNUS: Ao final do papo, veja o nosso Rider Técnico para curtir a pista com Aline Rocha com nossa curadoria tática com os detalhes invisíveis do show.

Marcelo Nassif, sócio-editor

Muito se fala sobre técnica, mas um DJ também trabalha com leitura de ambiente. No Lollapalooza, onde o público é diverso e o espaço é aberto, o que muda na sua forma de conduzir a energia coletiva em comparação a um club fechado?
Club é quando a pista fica mais próxima, concentrada; você percebe microreações e consegue trabalhar nuances mais sutis, construir o set com calma. Principalmente se for um set mais longo, que eu amo fazer. Festival aberto é outra dinâmica. Nem todo mundo está ali necessariamente pelo seu som, então a conexão precisa acontecer mais rápido. Eu penso em alcance, mas também considero muito a profundidade no início do set. Primeiro eu abraço, depois eu agrado.
É difícil definir porque para mim não tem muita previsibilidade. Não dá para simplificar tantos anos de carreira em tão pouco tempo, mas dá para ajustar a forma de entregar energia para um espaço maior e mais diverso.

Seu repertório dialoga com a House clássica e a Disco. Em um palco de grande escala que costuma privilegiar o impacto imediato, como você sustenta essa identidade sem diluir sua linguagem?
Para mim impacto não vem só da pressão sonora ou do quão “fodona” eu vou parecer. Groove bem colocado tem impacto. Vocal que conecta tem impacto. Musicalidade também segura pista grande. Eu não saberia abandonar minha identidade para caber no festival. Pelo contrário, uso a oportunidade como uma forma de expandir essa identidade e tudo o que tem de diferente em mim. House e disco funcionam bem porque têm emoção, swing e história. Isso atravessa qualquer tamanho de palco. Se eu perco essa base, perco a razão de estar ali.

Você valoriza o aspecto artesanal da mixagem e a leitura ao vivo. Em um festival com horários rígidos e produção enorme, como equilibra preparação técnica e intuição do momento?
Eu preparo caminhos possíveis, não um set fechado. Ficar engessada me atrapalha. Mas festivais exigem organização. O tempo é curto e a responsabilidade é maior. Mesmo assim, deixar espaço para leitura ao vivo é fundamental para mim. Às vezes, uma música que parecia perfeita no planejamento não faz sentido naquele momento e a experiência ajuda muito nisso. Você aprende a confiar na intuição sem perder consistência ou foco.

O tempo de set em festival é curto e intenso. Como você organiza a curva de energia para que a experiência funcione como narrativa e não apenas como sequência de músicas?
Mesmo com pouco tempo, eu penso em começo, meio e fim. Sempre. Não gosto de começar já no auge porque a pista ainda não chegou junto. Também não gosto de terminar sem fechamento emocional. Às vezes, um groove mais cadenciado no meio do set faz o pico final ser muito mais forte. Dinâmica é tudo. Senão vira só uma playlist de faixas óbvias, uma egotrip, e não uma experiência.

Quando o som termina e a luz se acende, que sensação você gostaria que permanecesse com quem assistiu ao seu set pela primeira vez?
Eu gostaria que a pessoa sentisse que viveu algo coletivo, mas ao mesmo tempo íntimo e pessoal. Que ela saia pensando “já acabou? passou tão rápido e eu sorri o tempo inteiro”. Uma sensação de alegria e um pouco de caos, que também é divertido. Gosto quando as pessoas saem com sensação de presença. Tipo “eu realmente vivi isso”, não só assisti. Se a pessoa descobre um som novo, sente vontade de voltar para a pista ou simplesmente sai mais leve do que chegou, para mim, já faz sentido. A música eletrônica tem esse poder de criar conexões sem precisar explicar muito. Quando isso acontece, mesmo que por uma hora, já valeu.

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Agradecimentos ao Mika Nesseroff

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