Tati Quebra Barraco

Tati Quebra Barraco

O mundo demorou, ela não. Tati Quebra Barraco sobre os 28 anos de carreira que obrigaram a crítica internacional a entender o funk.

Tati Quebra Barraco nunca pediu licença. Nem para entrar na novela, nem para falar de prazer, nem para ser a matriarca de um gênero dominado por homens. Recentemente, o Resident Advisor listou Boladona (2004) entre os melhores álbuns de música eletrônica do século, colocando a brasileira no Top 20 mundial. O reconhecimento fez fãs de techno ao redor do globo descobrirem o trabalho dela. Para o deepbeep isso não é uma validação da Tati, é uma correção histórica da crítica. Nesta conversa, ignoramos o hype gringo passageiro para focar no que realmente sustenta uma carreira de quase três décadas num mercado que descarta ídolos todo dia: a essência, a fé e a pegada que não se negocia.

Lísias Paiva, editor-fundador

Você lançou seu primeiro disco há mais de 20 anos e só agora ele está sendo celebrado lá fora como obra importante. Como é ver o mundo chamar de arte aquilo que você sempre fez com coragem e verdade, enquanto aqui dentro ainda existe muito preconceito com o funk?
É uma sensação de felicidade, de coração aliviado. Foram muitas tentativas de me calar, de me silenciar, de me oprimir. Mas independente de quem fez, de quem escreveu ou produziu, é o nome dela que está lá, é o nome dela que consta, é ela quem representa. Eu sabia que um dia isso ia acontecer. Deus não dorme, é tudo no tempo dEle. Eu sempre soube do meu potencial, do meu poder e a mulher foda que eu sou.

O deepbeep fala muito de escuta fora do algoritmo. O funk nasceu do corpo, da rua, da festa e do boca a boca. O que você sente quando vê muito funk hoje sendo pensado só para hitar rápido nas redes? O que não pode se perder nunca, na sua opinião?
Ah, eu acho que o funkeiro tem que vir com uma pegada, né? Todos nós viemos com uma pegada. A gente tem que prevalecer e ir até o final. Nada nos impede de misturar outros ritmos, tentar outras formas, mas nunca perdendo a nossa essência. Foi isso que levou a Tati Quebra Barraco pro mundo.

Os gringos estão me conhecendo hoje, mas eu já fiz várias turnês — inclusive agora no final de 2025, entre outubro e novembro. Então é isso, a sensação é só de felicidade, saber que podemos cantar o que quisermos, mas nunca perder a essência do que botou a gente no mundo do funk.

Você foi uma das primeiras mulheres a falar de prazer, poder e autonomia sem pedir licença. Hoje esse discurso virou palavra da moda. O que mudou de verdade para as mulheres do funk desde que você começou até agora?
O que mudou para elas, eu não sei. O que mudou para mim é que eu cheguei chegando, cheguei com autoridade, falando o que eu acho e o que eu penso. Fui a primeira mulher a colocar uma música em novela. É muito gratificante ver que muitas seguiram o caminho do funk. Agora, o que mudou na vida delas especificamente, isso eu já não sei responder.

Mesmo com tudo mudando, você segue sendo referência. O que te manteve em pé e com identidade própria num mercado que tenta trocar de artista toda hora?
A minha humildade, a minha verdade, a minha essência e o meu caráter. Acho que foi isso que me manteve de pé aqui há 28 anos. Hoje, sendo glorificada pelo Senhor, vejo os gringos citando Tati Quebra Barraco. Eu sempre soube que esse dia ia chegar. E chegou para todos verem.

Se você pudesse conversar com a Tati que estava começando, lá atrás, o que você diria para ela sobre tempo, reconhecimento e continuar fazendo do seu jeito?
O que eu falaria para a Tati lá de trás? “Não se deixe dominar por nada, nem por ninguém.” Isso atrapalhou muito. Mas eu sempre soube que Deus estava do meu lado. É aquilo que falei, né? Eu sei quem eu sou. É isso que eu diria para ela. De verdade. Sem vírgula e sem ponto.

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