VHOOR trabalha o tempo da pista

VHOOR em entrevista para o deepbeep

Fora do Brasil, o ritmo chega primeiro. O resto se constrói no tempo, na repetição e na leitura da pista.

VHOOR trabalha com tempo. Não só BPM. Tempo de resposta. Tempo de pista. Algumas coisas chegam na hora. Outras não. O ritmo atravessa primeiro. O resto exige mais escuta. Nem toda pista espera. Esse intervalo organiza o set. E define quem consegue sustentar a pista sem recorrer ao óbvio. Em De Keke!, seu novo álbum, isso aparece mais direto. Menos camada, mais repetição. Menos explicação, mais construção. O som não acelera para caber melhor. Ele cria expectativa. Na conversa com o deepbeep, VHOOR fala sobre esse processo, sobre como pensa ritmo, voz e contexto, e sobre o que muda quando o funk circula fora do seu lugar de origem. A playlist “O Que Viaja Com Você” acompanha esse movimento.

Lísias Paiva, sócio-fundador

Você vem de um som muito ligado ao baile, a um tipo de energia e leitura de pista muito específicas no Brasil. Hoje, tocando fora, em contextos completamente diferentes, em que momento você percebe que aquilo ainda está chegando do jeito certo?
Acredito que é quando consigo somar e fazer parte de um capítulo da história daquela noite, como se meu som pudesse complementar a experiência da festa como um todo.

Seu novo álbum “De Keke!” aponta para um som mais direto, mais enxuto em vários momentos. O que você sentiu que precisava sair para chegar a esse lugar?
Eu queria dar mais foco nas repetições, fazer com que o som gerasse expectativa para que algo acontecesse e, depois, viesse algo interessante. Eu costumo trabalhar muito com samples de melodias e harmonias. Dessa vez, quis experimentar compondo também nessa parte.

No seu trabalho, às vezes o ritmo segura tudo sozinho; em outras, a voz entra e muda completamente o clima. Quando você está criando, o que te faz escolher um caminho ou outro?
Depende do processo. Às vezes, fazendo o garimpo de vocais, encontro algo bem legal e penso: “Pô, isso dá pra tentar em outra ideia, em outro estilo.” Mas também, às vezes, eu começo pela parte rítmica, pensando nas baterias eletrônicas como se fossem pessoas tocando bateria orgânica — tipo um groove, uma virada e um break. Acredito que esses são os caminhos.

Quando você toca fora do Brasil, existe uma resposta imediata ao som, mas também coisas que demoram mais para ser entendidas. O que você sente no corpo da pista primeiro, e o que leva mais tempo para chegar?
Acredito que a parte rítmica brasileira a galera curte bastante de imediato, mas, quando é um som mais melódico e eletrônico brasileiro, o pessoal demora um pouco para pegar.

Hoje o funk circula muito além do seu lugar de origem, e muita gente consome sem viver esse contexto. Isso muda a forma como você pensa o set ou não muda nada?
Sim, muda bastante. Acho bem legal quando o DJ, por exemplo, aborda parte da história do estilo, mas também contextualiza e faz paralelos com a cena em que ele está tocando. Acho que isso faz o público se sentir mais identificado.

No meio de turnê, viagem e pista, o que você escuta quando precisa sair desse fluxo e desacelerar de verdade?
Gosto de escutar um pouco de tudo: bastante funk, world music, jazz, R&B e IDM.

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