Rachel Reis

Rachel Reis deepbeep

Rachel Reis hackeia a lógica do hit instantâneo e explica por que sua timeline obedece ao ritmo do corpo, não do engajamento.

Rachel Reis poderia ser apenas mais um produto da máquina de hits da Bahia, mas ela escolheu ser uma artesã. Enquanto o mercado exige que artistas funcionem como usinas de conteúdo 24/7, a cantora e compositora aposta na contramão: o tempo do dengo, do respiro e da construção lenta. Sua estética não é apenas um filtro de Instagram, é posicionamento político. Ao misturar a malemolência do pagodão com a sofisticação do afrobeat e uma identidade visual de alta moda, ela cria um pop que é, ao mesmo tempo, local e global. Nesta conversa com o deepbeep, Rachel fala sobre a autonomia de criar sem a pressão do relógio digital. E como para ela som e imagem são indissociáveis, propusemos um desafio sinestésico: a playlist O Som que se Veste. É uma curadoria exclusiva de faixas com textura e cor, desenhada para vestir o corpo de quem ouve como uma peça de roupa feita sob medida.

Marcelo Nassif, sócio-editor

Rachel, sua música irradia leveza, mas você trata o afeto como gesto de força. Quando cria uma canção, o que sente que está movendo no mundo?
Sinto que estou mexendo em percepções. Às vezes abro uma fresta nova no jeito que alguém sente, vê as coisas, pensa ou se move. Acho isso maravilhoso.

Sua identidade nasce entre imagem e som. Como essa mistura de moda, pop e raiz organiza a atmosfera que você quer que o público escute?
Na verdade, nada disso vem de um lugar planejado. Sou o reflexo de uma mulher baiana comum, com muito swing, muitas referências da cultura da Bahia e também da cultura pop que passa por mim desde sempre. O que visto, o que canto e o jeito que me movimento acabam conversando porque tudo nasce do mesmo lugar: meu cotidiano, minha vivência e minhas memórias. A atmosfera que chega pra quem escuta é essa soma natural do meu jeito de existir.

Seu trabalho pede respiro, corpo e suavidade. A lógica digital parece pedir o oposto. Como você negocia essa tensão entre o afeto que exige tempo e a timeline que quer tudo agora?
É um equilíbrio, sabe? Meu trabalho nasce no tempo do que eu estou sentindo e querendo construir, não no tempo da internet. Posso entrar numa sequência de lançamentos porque minha cabeça está fervendo e eu tenho autonomia pra isso, como também posso precisar de uma pausa mais longa. Eu funciono no meu ritmo. Por isso organizo minhas entregas digitais sem deixar que isso interfira na criação. A timeline é uma vitrine que eu uso, não o lugar que dita meu processo.

Você cria a partir de ritmos distintos, do afrobeat ao pagodão. O que acende a faísca de uma nova música e como esse primeiro impulso se transforma na arquitetura final da canção?
Pode ser um ritmo, uma frase ou só uma sensação. A partir daí começo a montar camadas, entender o que a música quer dizer e para onde ela puxa. O impulso é espontâneo, mas a construção é um pouco mais cuidadosa.

Sua música convida para um lugar mais leve. Depois de um show ou de um álbum, o que você espera que fique no corpo de quem te escuta?
Sinto que minha música tem algo que suaviza, mas também empurra pra frente. Gosto da ideia de convidar as pessoas para o meu universo de sons, melodias e palavras, e de que cada uma possa transformar isso no que precisar no seu próprio caminho.

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Fotos por Isa Arruda

Agradecimentos pela conexão Ágata Cunha

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