
A banda carioca explica como repetição, improviso e volume extremo transformam o palco em um organismo vivo.
Algumas bandas escrevem músicas. A Oruã prefere construir sistemas. O som do grupo cresce a partir de repetição, improviso e pequenas variações que mudam completamente a percepção de tempo. Esse mecanismo chega ao Lollapalooza no domingo, 22 de março, às 16h55, no Palco Flying Fish. No momento em que o festival começa a entrar no clima do fim de tarde, a banda leva ao autódromo uma arquitetura sonora que transforma o volume em experiência coletiva. Na conversa com o deepbeep, o grupo fala sobre improvisação como método de criação, sobre a relação entre o circuito internacional e o underground brasileiro e sobre a escolha de fazer música que aposta na intensidade acumulada. O papo desce acompanhado da playlist A Mecânica do Transe, uma seleção de faixas que ajudam a entender as coordenadas musicais que orientam o som da banda.
★ BÔNUS: Ao final do papo, veja o nosso Rider Técnico para curtir o show do Oruã com nossa curadoria tática com os detalhes invisíveis do show.
Lísias Paiva, sócio-fundador
A identidade da Oruã nasce da cultura do faça você mesmo e da estética analógica da Transfusão Noise Records. Quando esse ruído de fita chega a um sistema de som gigantesco como o do Lollapalooza, o que muda nessa textura ao vivo?
Essa textura é um elemento exclusivo das gravações, dos discos. Ao vivo é outra fita. É um circo. A gente monta alguns equipamentos de forma bem peculiar e fazer isso em um palco com espaço de sobra é um sonho. Temos uma boa equipe nos ajudando a montar esse som e espero que seja o mais pesado possível.
A banda sempre manteve um fluxo intenso de gravações e projetos paralelos. Como vocês organizam esse material para que o show funcione como uma narrativa coesa no palco?
A gente trabalha há muitos anos com improvisação livre e isso abre um universo incrível dentro das nossas aventuras musicais. Tudo o que tocamos ao vivo hoje está nos discos e, no meio disso, vamos adicionando novas ideias. É muito interessante tirar novas ideias de improvisações aleatórias.
A repetição do motorik e a influência do krautrock criam um estado de hipnose sonora. Em um festival cheio de estímulos rápidos, como vocês conduzem o público para esse transe?
Acredito 100% que o som vai conduzir as vibrações. É um momento muito grande na nossa história tocar em um festival como esse em um momento tão potente musicalmente para nós. O mais importante vai ser a gente se divertir no palco e geral que estiver assistindo se divertir também.
Vocês circulam há anos por circuitos internacionais e muitas vezes tocaram mais fora do Brasil do que aqui. O que muda na recepção do som quando ele atravessa essas geografias?
Muitas camadas. Na prática, ao longo de 10 anos, fizemos mais shows fora do Brasil do que nele. Estranhamente, o interesse era muito maior fora do que por aqui. Acredito que alguma reparação histórica possa estar acontecendo nesse momento. Isso é bom e necessário.
Sempre fomos muito bem recebidos e acabamos circulando algumas vezes por circuitos muito interessantes e articulados. Nunca foi fácil, mas sempre teve muito amor envolvido dentro da comunidade independente. Isso é o que move. O Brasil é um lugar muito respeitado musicalmente pelo mundo e me sinto honrado em fazer parte disso atualmente.
O show de vocês acontece no domingo, no fim da tarde, quando o público já atravessou dois dias de festival. Como vocês imaginam esse encontro entre o som da banda e o corpo de quem chega para assistir?
Acredito que vamos tocar em um bom momento. As pessoas ainda terão seus corpos, não sei bem sobre as mentes. Vai ser um bom pôr do sol.

RIDER TÉCNICO DE PISTA PARA ASSISTIR ORUÃ
▶︎ COORDENADAS
★ Onde. Domingo, 22/03, às 16h55 no Palco Flying Fish. ★ O Cenário. O fim de tarde do terceiro dia marca a hora de ouro do festival. O sol começa a baixar e a energia da pista muda de frequência. A Oruã assume o palco exatamente nesse ponto de virada para injetar uma dose maciça de groove analógico e elevar a vibração do autódromo para outra dimensão. ★ O Veredito. O ápice psicodélico definitivo do fim de semana. Um convite irrecusável para plugar a mente na batida motorik e deixar a banda transformar o pôr do sol em uma pista de dança imersiva, distorcida e absurdamente viva.
▶︎ PRESTE ATENÇÃO
★ A Geografia do Transe. O som exige imersão acústica absoluta e as laterais dispersam o impacto. Atravesse a massa e ancore os pés no centro geométrico da pista. É ali que o grave bate redondo na espinha dorsal e a parede de som abraça o corpo com a excelência máxima do estéreo. ★ A Energia Coletiva. A estética da banda cria uma hipnose magnética que recusa a paralisia. A etiqueta perfeita é fechar os olhos e deixar o ritmo implacável ditar o movimento. O transe acontece no balanço contínuo do corpo enquanto os músicos erguem um edifício de ruído espetacular ao vivo. ★ A Arquitetura do Caos. Observe o rigor absurdo por trás do que parece pura improvisação. O maquinário montado no palco opera com um método brilhante. Cada microfonia e cada virada de tempo surgem calculadas com precisão matemática para incendiar a plateia e manter o público vidrado do primeiro ao último acorde.
▶︎ HARMONIZAÇÃO SONORA
★ O Mood. Uma catarse psicodélica luminosa no asfalto quente sob o céu alaranjado. ★ O Look. Óculos escuros para encarar o sol de frente, jaqueta leve amarrada na cintura para a virada térmica e tênis confortável para flutuar no ritmo até a noite cair. ★ O Drink. Cerveja estupidamente gelada ou um energético trincando. O paladar precisa estar fresco e desperto para processar a voltagem do som e celebrar a magnitude do momento.
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Fotos por Jorge Stela e Samantha Caldato
Agradecimentos à Alessia Pelistri
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