Nilo Caprioli e a ideia que ainda é sua

Nilo Caprioli em entrevista ao deepbeep sobre imagem, música e primeira impressão.

Depois de anos trabalhando com imagem, Nilo Caprioli desconfia da primeira impressão e da própria ideia de novidade.

Uma roupa pode entregar muita coisa antes de uma conversa começar. Nilo Caprioli presta atenção nisso. O detalhe que mais o diverte é quando alguém faz questão de parecer indiferente à própria roupa. Para ele, essa indiferença também foi pensada. Nilo dança, dubla e observa a pista. Quer entender o que as pessoas esperam ouvir. Quando percebe uma expectativa muito clara, pode colocar Prodigy depois de um pop farofa.

“A primeira impressão sempre vai ser muito forte”, ele diz. Depois de tantos anos olhando para as pessoas, Nilo aprendeu a desconfiar da própria leitura. “Eu te leio, mas espero que você seja mais do que isso.”

No dia 19 de setembro, Nilo leva essa combinação de imagem, música e leitura para o PRISMA, no Centro Cultural São Paulo, a convite do deepbeep.

Como reconhecer uma ideia própria quando referências chegam o tempo inteiro? A moda convive com cópias e coincidências. A inteligência artificial aprende estilos, imagens e saberes em uma velocidade difícil de acompanhar. Nilo quer saber quem inventou a última coisa que ainda era genuinamente de alguém.

A pergunta aparece também nas músicas que ele escolheu para a playlist “Não é só pra dançar”. “It Feels So Good”, de Marion K., foi a primeira descoberta eletrônica que explodiu sua cabeça e o levou à cultura clubber. “Nour El Ein”, de Amr Diab, vem das lembranças da mãe, dançarina de dança do ventre. “Sadeness”, do Enigma, traz Claudia Ohana, um macacão preto, uma capa e pombos. Nilo ainda se pergunta se aquela imagem teve alguma relação com seu interesse por figurino. São músicas que deixaram marcas diferentes na formação de Nilo. Ouvir a playlist é chegar um pouco mais perto de onde esse repertório começou.

Lísias Paiva, criador e editor

Nilo, o que uma roupa já te contou sobre alguém antes mesmo de vocês conversarem?
Ai, que pergunta difícil, muitas coisas! As roupas das pessoas falam o tempo inteiro. Mas acho que, para mim, muito mais intrigante do que perceber as diversas mensagens que as pessoas passam através delas, quem elas são, do que elas gostam, mas sobretudo quem elas QUEREM parecer, é quando a pessoa quer fingir que não liga para nada disso e que não pensou na roupa que está vestindo. Acho que é a parte mais engraçada, porque eu olho e já penso: você gostaria de ser melhor que tudo isso, né? Mas não dá! Rs

Tem alguma coisa na sua vida que você demorou para entender sobre você mesmo e hoje acha engraçado ter levado tanto tempo?
Eu sou bem mala, né? Amava um conflito e me sentia muito confortável nesse lugar. Hoje eu acho muito mais gostoso quando as pessoas estão esperando o caos e eu entrego calma. Quebrar a expectativa delas e até me divertir com a decepção delas diante da calmaria tem sido bem fun. Além de me poupar de novas rugas! Tá sendo tudo!

Como DJ, o que faz você decidir que uma música precisa entrar naquele momento e não cinco minutos antes ou depois?
Eu gosto de fazer surpresas, mas também sou um DJ que se diverte com a pista. Eu danço e dublo o tempo todo, então acho que essa conexão é o que decide como vai ser. Fico atento a quem está ali me ouvindo e tentando decifrar o que eles esperam. Aí, geralmente, eu toco alguma coisa não óbvia! É incrível quebrar essa expectativa de maneira positiva. Quem imaginaria, sei lá, que depois de um pop farofa ia entrar um Prodigy, sabe?

Depois de tantos anos trabalhando com imagem e, agora, falando tanto sobre relações, você ficou mais atento a alguma coisa nas pessoas ou mais disposto a não tirar nenhuma conclusão?
Se eu disser que não são ambos, eu vou estar mentindo! A primeira impressão sempre vai ser muito forte, mas, como já tenho tantos anos nessa indústria vital, eu aprendi que a gente não pode sempre confiar nesse first view. Então, NUM GERAL, eu tendo a não decidir nada, porque a probabilidade de me enganar é gigante! Acho que fico num “eu te leio, mas espero que você seja mais do que isso!” Sabe?

Qual foi a última coisa que te deixou genuinamente curioso?
A relação entre ideia e inovação no mundo atual. Tenho refletido bastante sobre o que realmente pode ser novo numa sociedade TÃO CONECTADA. Como a gente sabe que aquilo não foi nosso, e sim o algoritmo que nos apresentou e a gente nem percebeu? A moda chora cópias e coincidências o tempo todo, a inteligência artificial está substituindo os saberes por todo o lado. No fim, a pergunta que me ficou foi: quem inventou a última coisa genuinamente? Detalhe é que não descobri e nem sei se um dia irei, ou iremos!

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Serviço PRISMA
Sala Adoniran Barbosa do CCSP
19 de setembro a partir das 15h
Entrada gratuita

15h – deepbeep seletores
15h30 – Nilo Caprioli
16h30 – deepbeep seletores
17h00 – Andreas Kisser e Maria Grecco
17h30 – Barbara Ohana

Centro Cultural São Paulo
R. Vergueiro 1000 (Metrô Vergueiro)

Música, performance e cinema com curadoria de Marcos Guzman e produção executiva de Tatiana Farias.

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Fotos por Alberto Tomaz e Lucas Canuto

Ouça a playlist de Nilo Caprioli no seu player preferido

Tem a primeira música eletrônica que explodiu a cabeça, a memória da mãe dançando e um videoclipe com Claudia Ohana, macacão preto, capa e pombos. Nilo Caprioli escolheu as músicas que ficaram na cabeça muito antes de virarem repertório.

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