
Entre o quarto de ensaio e o maior sistema de som do país, a Jonabug usa o ruído para trocar explosão por introspecção.
Algumas bandas nascem prontas para o grito óbvio. Outras constroem a própria imensidão dentro de um quarto, empilhando pedais de distorção e melodias feitas para serem escutadas de olhos fechados. A Jonabug saiu de Marília assim, cultivando um shoegaze introspectivo muito antes de qualquer palco grande aparecer. Agora o experimento muda de escala. No dia 22 de março, a banda leva essa arquitetura de ruído para o Lollapalooza. Na conversa com o deepbeep, o grupo fala sobre sair do underground para um palco global, recuperar a materialidade que existia antes da música virar interface e insistir numa música que recompensa quem sabe escutar.
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Lísias Paiva, editor-fundador
Vocês saíram de Marília com produção independente direta para um dos maiores palcos do mundo. O romantismo do faça você mesmo não sobrevive intacto a um sistema de som gigante. O que muda quando o quarto vira festival?
Se torna incentivo. Hoje a gente não ganha dinheiro com a música e provavelmente nunca vai viver COMPLETAMENTE da música, mas poder ocupar um espaço tão inalcançável dentro do underground serve de incentivo pra toda uma cena.
Shoegaze sempre foi refúgio. Dream Pop também. No Lollapalooza, tudo é exposição: tela acesa, estímulo constante. Subir no palco e criar uma parede de ruído introspectiva é proteção ou confronto?
Depende do ponto de vista. É confronto pra nós mesmos que vamos estar em uma posição de responsabilidade por entregar o melhor show possível, mas talvez seja proteção pra um público que busca refúgio nas nossas músicas.
A estética da Jonabug olha para os anos 90, década que virou fetiche recente. Não interessa a nostalgia fácil. O que daquele período ainda faz sentido hoje além da textura sonora?
A tangibilidade das coisas. Materiais físicos, conexões reais e intensas são tudo o que buscamos na música e na arte. Hoje é tudo muito digital e superficial e sinto que trazer um pouco de uma outra época é uma forma de ignorarmos essa era tecnológica em que vivemos.
Três Tigres Tristes é quase um trava-línguas infantil que virou manifesto involuntário. O som de vocês também exige esforço: melodias luminosas soterradas por distorção densa. Essa fricção é um filtro consciente ou simplesmente o jeito mais honesto de existir?
Ambos. É preciso muito esforço e vulnerabilidade pra criar uma música que transmita o que você sente e você tem que estar aberto a saber que nem tudo o que você cria é bom de início. É preciso lapidar, moldar e revisitar essa dor várias vezes até que ela esteja pronta pro mundo. Isso exige um filtro consciente que demonstre a honestidade na existência dos nossos sentimentos.
No mesmo dia, vocês dividem o lineup com artistas que dominam multidões com gesto e presença. A Jonabug parece escolher o menos performance e mais densidade. O que vocês querem deixar na pele de quem chega por acaso e decide ficar?
Quero que eles sintam o que estamos sentindo ao cantar nossas músicas. Não somos uma banda de rock doida que faz loucuras no palco, queremos tocar as pessoas com a música e é isso que importa pra nós.

RIDER TÉCNICO DE PISTA PARA ASSISTIR O JONABUG
▶︎ COORDENADAS & CONFLITOS
★ Onde Domingo, 22/03, das 12h00 às 12h45 no Palco Samsung Galaxy ★ O Cenário O domingo começa com o sol no topo e a pista zerada, pronta para ser moldada. É o horário de ouro que define a rotação do dia. O palco é monumental e a proposta da banda cria um microclima magnético no meio do autódromo. ★ O Veredito É a chance de inaugurar o dia com uma parede de som que abraça a plateia. Um mergulho estético que calibra a audição, eleva o nível musical da tarde e prepara o terreno para as próximas horas com densidade e propósito.
▶︎ PRESTE ATENÇÃO
★ A Arquitetura da Distorção A muralha sonora é um projeto arquitetônico deliberado. Repare como as guitarras constroem uma cama espessa e luminosa para a melodia flutuar, exigindo que você mergulhe na música ativamente. ★ O Anti Frontman A estética shoegaze exige foco total nos instrumentos e recusa a comunicação óbvia. O trunfo visual da banda é a entrega física nos pedais e o rigor de quem constrói uma tempestade sônica ao vivo. ★ A Física do Ruído O som bate no peito de um jeito hipnótico. Cole perto das torres de P.A. para sentir como a textura e o volume operam como uma onda de frequência grave que domina todo o espaço aberto.
▶︎ HARMONIZAÇÃO SONORA
★ O Mood Um casulo de microfonia e melodia montado sob o sol do meio dia. ★ O Look Camiseta de banda indie, calçado confortável para o asfalto e óculos escuros grossos para fechar os olhos e absorver a vibração. ★ O Drink A primeira cerveja estupidamente gelada do domingo ou um gin tônica cítrico para contrastar com o peso denso das guitarras.
Ouça Três Tigres Tristes do Jonabug (clique na imagem)

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Agradecimentos ao Valtinho Fragoso pela conexão
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