
Compositor, cantor e fundador do Barão Vermelho, Frejat fala sobre o tempo das canções, o ritmo das palavras e o momento em que uma música começa a viver outras histórias.
Toda sexta-feira, milhares de músicas chegam às plataformas. A maioria desaparece rapidamente. Outras seguem um caminho impossível de prever. Ganham novos significados, atravessam gerações e passam a fazer parte da vida de pessoas que talvez nem fossem nascidas quando foram lançadas.
Frejat acompanha esse processo há mais de quatro décadas. Como compositor, cantor e fundador do Barão Vermelho, viu músicas escritas em contextos muito específicos encontrarem outros tempos, outras histórias e outros públicos. Sem deixar de ser suas, passaram a ocupar lugares que nenhum compositor consegue controlar.
Essa é a conversa que conduz a entrevista ao deepbeep. Frejat fala sobre o tempo das canções, o ritmo das palavras, a relação entre compositor e obra e sobre aquilo que continua fazendo uma música merecer existir muito depois do lançamento.
A playlist “Ainda Dá Play” reúne artistas como Cartola, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Rita Lee, Bob Dylan, Beatles e Rolling Stones e outras canções que nunca dependeram da novidade para permanecer vivas. Uma seleção construída por Frejat para mostrar que algumas músicas continuam acontecendo muito depois do lançamento.
Lísias Paiva, criador e editor
Frejat, quando uma canção deixa de retratar uma época e começa a acompanhar uma vida?
Acredito que o tempo de vida da canção é fundamental para que isso aconteça. Ela passa a representar alguma coisa para as pessoas quando é ouvida. Isso pode acontecer naquele exato momento da escuta ou por tudo o que já aconteceu pela presença daquela canção na vida delas.
O que uma boa letra e uma boa conversa entendem sobre ritmo?
Tem gente que já fala suingando, e isso já diz muito. O ritmo das palavras é fundamental para uma canção. Ele pode ser fluido, assimétrico, torto. Depende do resultado a que os compositores chegam. É a confirmação de que a boa combinação entre música e letra é o que faz uma grande canção.
Você escreveu músicas que hoje pertencem à memória de muita gente. Em que momento uma canção deixa de ser sua e passa a viver outras histórias?
Ela nunca deixa de ser minha. Tenho cada uma como um filho ou uma filha que coloquei no mundo. Agora acompanho, encontro e vejo outras pessoas se relacionarem com elas. E assim vamos em frente. Meus filhos serão sempre meus filhos, com tudo o que isso implica.
Qual tipo de verdade continua encontrando espaço em qualquer geração?
As relações humanas, da forma que forem. Cada geração tem suas peculiaridades, mas esse é um assunto que não tem fim.
Depois de tantos anos escrevendo, o que ainda faz você acreditar que uma música merece existir?
Eu acredito na força da canção. Ela pode mexer com as pessoas de forma muito intensa ou muito delicada. Às vezes intensa e delicada ao mesmo tempo. É isso que me captura e me faz continuar cantando, compondo e tocando.
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Agradecimentos à Belinha Almendra da Coringa Digital
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