
Katy da Voz e Palladino Proibida falam sobre o que acontece quando uma situação absurda, uma música agressiva ou uma referência improvável encontra as Abusadas.
Katy da Voz e Palladino Proibida estão fazendo música juntas há alguns anos, mas as Abusadas nunca ficaram restritas a uma ideia de gênero. O funk está ali, assim como o punk, a eletrônica, o humor e uma performance que já virou parte importante dos shows. Em 2025, A Visita levou essa mistura para um álbum de dez faixas. Em 2026, Sandra Eletrônica concentrou a pesquisa na música eletrônica, com referências que vão de Madonna a Daniela Mercury e uma produção pensada para a pista.
O Grajaú continua aparecendo nesse trabalho. Sandra, por exemplo, nasceu de uma referência a Veronica Electronica, de Madonna, ganhou uma versão brasileira no nome e acabou carregando para o projeto as figuras das senhoras e “donas” do bairro. A capa do EP também foi fotografada no Grajaú.
Hoje, Katy e Palladino são as duas Abusadas. O trabalho ganhou outra configuração sem perder a disposição para misturar música e performance. Katy já falou sobre sua relação com o rock e sobre a vontade de testar a própria voz. Palladino pensa o show como uma espécie de filme, com roteiro, dançarinos e transições.
Neste sábado, 10 de outubro, as duas se apresentam no ZIG Festival, em São Paulo. A programação ocupa a Audio e o Pavilhão, com Katy da Voz e as Abusadas ao lado de nomes como Slayyyter, Rochelle Jordan, Linn da Quebrada, Karol Conká e Vita.
Para o deepbeep, Katy e Palladino falaram sobre o que faz uma experiência virar música, sobre o que procuram quando estão ouvindo uma faixa e sobre aquilo que ainda querem colocar no mundo.
Lísias Paiva, criador e editor
Com colaboração de Claudio Thorne, redes e comunidade
Vocês misturam funk, punk, eletrônico, humor e putaria sem parecer que estão tentando juntar coisas diferentes. Quando uma ideia merece virar uma música, um show ou uma personagem?
Acho que tudo soa natural. É o que estamos vivendo naquele momento. Os vídeos todos são naturais, somos assim fora das câmeras também, e isso que torna tudo mais incrível. Não paramos e pensamos: “Precisamos escrever uma música ou falar sobre isso”. Apenas fazemos, sabe? A única vez que isso rolou foi com “Rola Grossa, Que Gostosa!”, porque já existia o título e era viral.
Tem alguma música que vocês ouviram recentemente e pensaram “isso caberia nas Abusadas”? O que nessa música fez vocês pensarem nisso?
Existem várias músicas que a gente pensa dessa forma, principalmente quando a batida é agressiva e acompanha uma letra mais agressiva ainda.
Vocês foram barradas na Alemanha e transformaram a situação em “Frankfurt”. Como vocês reconhecem que uma situação absurda pode virar uma Abusada?
No final do dia, precisamos transformar dor em arte, né? Já estávamos na merda, pra que chorar? Vamos sorrir e tirar um suco de graça daquela situação, por mais trágica e constrangedora que tenha sido.
“Sandra Eletrônica” colocou Madonna, Daniela Mercury e outras referências dentro de um projeto mais eletrônico. O que a eletrônica permitiu que vocês fizessem que ainda não tinham tentado nas Abusadas?
Além de um compilado totalmente focado na música eletrônica, acredito que trazer referências e criar uma estética colorida, bem divertida, algo que nunca fizemos antes.
Depois de tudo o que as Abusadas já fizeram, tem alguma coisa que vocês ainda querem fazer juntas e que parece completamente fora da curva até para vocês?
Nunca paramos pra pensar nisso. Acho que já fizemos de tudo hahaha. Mas eu ainda quero lançar uma terceira mixtape um dia. Acho que isso hoje seria bem trabalhoso por conta de tempo e conflitos de agenda, mas não seria impossível.
Acompanhe o trabalho de Katy da Voz e as Abusadas
Katy da Voz e as Abusadas no Instagram
Agradecimentos ao Pedro Paulo Furlan da Red Assessoria pela conexão
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