
Depois de voltar à seleção brasileira em 2026, Douglas Souza fala sobre o preço da exposição e sobre a vida que acontece longe das câmeras.
Douglas Souza voltou à seleção brasileira em 2026, cinco anos após sua última passagem pela equipe. Disputou duas etapas da Liga das Nações antes de ficar fora da fase final e da preparação para o Pré-Olímpico por questões pessoais. No Campinas, segue a temporada 2026/27.
A visibilidade já teve outras dimensões na vida de Douglas. Em Tóquio, os bastidores publicados nas redes sociais fizeram parte da experiência olímpica de milhões de pessoas. A atenção chegou em escala inédita para ele. Depois, como acontece com a internet, diminuiu.
A pergunta fica mais interessante quando a câmera desliga. O que uma pessoa muito observada reconhece como importante quando já não existe uma audiência inteira acompanhando cada movimento?
Douglas fala de trabalho. Fala de liberdade. Fala da escolha de não gastar energia tentando caber na expectativa de um ambiente esportivo tradicional. Fala do marido, das filhas PET, dos amigos que continuam por perto. E coloca Pabllo Vittar, Britney Spears, Pussycat Dolls, Sabrina Carpenter, Zara Larsson e KATSEYE para tocar. Para o deepbeep, ele escolheu as músicas de “Quando o barulho diminui”. Uma playlist para depois da partida, da viagem, da câmera ligada.
Marcelo Nassif, sócio e editor
Douglas, qual é a diferença entre chamar a atenção e ser realmente visto?
Hoje em dia, ganhar visibilidade passageira é algo simples, né? Basta fazer uma brincadeira ou postar uma pegadinha na internet para ver o telefone cheio de notificações. Mas ser percebido de verdade é algo muito mais profundo. Isso acontece quando as pessoas conseguem enxergar além das redes sociais, do humor e das aparências, captando a sua verdadeira identidade e a sua causa, independentemente de concordarem ou não com ela. É o reconhecimento do meu esforço diário nos treinos, do meu papel em quadra e de tudo o que eu represento. Chamar a atenção é apenas um instante; ser visto de verdade constrói respeito e laços reais.
Tem músicas que mudam a postura de uma pessoa antes mesmo da primeira nota terminar. O que elas despertam?
Nossa, tudo! É o que eu chamo de ativar a “Lady” interior. Para mim, a música é o meu verdadeiro refúgio; é quando saio do caos da vida real e viajo num pop que eleva minha vibração. Quando toca a batida de “Zap Zum”, de Pabllo Vittar, em algum lugar, todos me olham, não tem como: é a minha música. Se entra uma Britney ou Pussycat Dolls, então? Todos os problemas de adulto somem e me levam de volta para aquele Douglas mais jovem, que só quer saber de dançar e se divertir. Hoje em dia, escutar a Sabrina Carpenter, com suas melodias doces e letras falando de amor, deixa a vida mais simples, descomplicada e cheia de cor. E quando entra a energia da Zara Larsson ou o som icônico das meninas do KATSEYE, meu corpo nem pede permissão: eu não consigo ficar parado! É o gatilho definitivo que avisa pro mundo: a vibe mudou, a confiança subiu e eu cheguei pra entregar tudo, amores.
Existe algum tipo de liberdade que só aparece quando você para de tentar agradar todo mundo?
Total! E vou te falar que foi libertador demais quando essa chave virou pra mim. O esporte, principalmente, tem um ambiente muito tradicional. A partir do momento em que eu banquei: “sou eu mesmo, sou gay, amo jogar vôlei, sou gamer, dou minhas risadas e é isso aí”, a vida ficou leve. Você gasta muito menos energia tentando caber numa caixinha que não é sua. Quando deixamos de focar em agradar a todos, reencontramos nossa verdadeira força para viver plenamente e buscar a nossa felicidade.
O que as pessoas entendem errado sobre confiança?
A galera acha que ser confiante é não ter medo nenhum, é nunca tremer na base. Maior mentira! Confiança não é ausência de nervosismo. Eu já entrei em quadra pra jogo gigante com a barriga gelada milhões de vezes. A confiança, na verdade, vem do trabalho. É você sentir o frio na barriga e pensar: “eu treinei muito pra estar aqui, eu sei o que eu tô fazendo”. É ter a coragem de ir lá e resolver, mesmo com o coração na boca.
Você já viveu momentos em que milhões de pessoas estavam olhando para você ao mesmo tempo. O que continua importante quando o barulho diminui?
No fim das contas, o que realmente vale é a nossa paz de espírito. A fase das Olimpíadas de Tóquio foi um hype inesquecível, um verdadeiro furacão maravilhoso. Só que a internet funciona em ciclos e toda essa barulheira uma hora diminui. Quando o celular é desligado e chega a hora de deitar na cama, o que resta de verdade é o nosso lado “off”. O que se mantém essencial para mim é cuidar da saúde mental, valorizar as relações que construo, ter o meu marido comigo no dia a dia, curtir minhas filhas PET e estar perto dos amigos reais, aqueles que não dão a mínima se eu tenho dois seguidores ou dois milhões.
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Douglas Souza escolheu músicas para quando a partida acaba, a câmera desliga e a vida volta a acontecer longe da plateia.
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