
Vermelho volta ao deepbeep para falar sobre a infinitude da busca por música.
Em 2009, Vermelho foi o primeiro entrevistado do deepbeep. Quase duas décadas depois, voltou a ouvir aquele set. Reconheceu as músicas, lembrou das escolhas e do que queria contar com elas. E continua gostando do resultado. Naquela primeira entrevista, Márcio já falava de pesquisa, de referências e da liberdade de misturar o que encontrava pelo caminho. Hoje, essa busca passa por pistas, rádio, produção e projetos audiovisuais. O próprio Vermelho resume o que mudou no ouvido em uma frase simples. Ele se sente mais instigado a transitar entre gêneros e contar histórias com mais nuance nos sets.
Entre os projetos estão a ODD, criada com Davis e Zopelar, o Vermelho Wonder, com Ivana Wonder, o Sphynx, com Zopelar, e o Video-Sistema. São projetos diferentes, com linguagens próprias, que ajudaram a ampliar o campo de atuação para além da pista. Atualmente, ele apresenta o Cosmópolis, na rádio ROVR, de Londres, e trabalha com trilhas sonoras e cine-concertos. A música mudou de formato várias vezes. A curiosidade por ela, não.
Na conversa com o deepbeep, ele fala sobre o que ainda faz uma faixa mudar sua opinião, a liberdade de abandonar uma escolha no meio do set e o prazer de encontrar uma música que ainda não conhecia. Na playlist “O Que Ficou no Ouvido”, Vermelho reúne músicas que continuam fazendo sentido depois de tantos anos, descobertas que mudaram sua maneira de ouvir e faixas que ganharam outro significado com o tempo.
Lísias Paiva, criador e editor
Em 2009, você foi o primeiro entrevistado do deepbeep. O que aquele Vermelho ainda reconheceria no que você faz hoje?
Que honra ter sido o primeiro convidado do deepbeep, muito feliz de estar aqui de novo! 2009 foi um dos anos mais intensos da minha vida, por questões pessoais. Foi como recomeçar do zero, e esse recomeço também aconteceu na música, como DJ. Mesmo assim, me reconheço em cada passo que venho dando desde então, tanto musicalmente quanto eticamente. Para mim, não se trata apenas de ser fiel às origens, mas de entender que existe uma linha do tempo contínua, feita de aprendizados e experiências que se acumulam. Recentemente, voltei a ouvir aquele set do deepbeep e lembrei nitidamente do processo de escolha das músicas, do que eu queria contar ali. Até hoje, continua sendo um dos meus preferidos que já gravei.
Você passou por house, disco, electro, cosmic grooves, punk funk e outras coisas sem precisar escolher uma casa definitiva. O que você descobriu sobre seu próprio ouvido nesse caminho?
Adoro a sensação de infinitude na busca por música. Sempre vai existir algo incrível a descobrir, mesmo que você pesquise 24 horas por dia. Com tantas possibilidades, me sinto mais instigado a transitar entre gêneros, explorar a riqueza de tantos estilos e contar histórias com mais nuance nos sets. Ainda assim, busco imprimir uma identidade nessa mistura toda.
Você construiu projetos, festas, selos, imagens e músicas. O que você precisa inventar ao redor da música para continuar interessado nela?
Não me vejo num mundo sem música presente o tempo todo. Mesmo se não trabalhasse com isso, dificilmente perderia o interesse. Sou fascinado por música desde criança. Gosto de explorar linguagens diferentes e criar projetos que deem vazão a essa paixão. Hoje tenho o Cosmópolis, meu programa na rádio ROVR, de Londres, que é um ótimo espaço para apresentar uma pesquisa bem diferente do que toco nas pistas.
Na produção, tenho me dedicado a trilhas sonoras, um desafio que abre novos territórios no mundo do som, e também a apresentações ao vivo em formato de cine-concerto, algo que tenho curtido bastante.
Mais do que me manter interessado, sinto que estou experienciando a música de forma mais profunda e diversa, e isso abre portas criativas que me estimulam cada vez mais.
Tem alguma coisa que você faz hoje sem pensar duas vezes que, no começo, exigia muito mais coragem?
Tomar decisões, seja mudar o rumo de um set ou de uma produção em que estou trabalhando. E também ter mais firmeza para dizer sim e não.
Depois de tantos anos ouvindo música, o que ainda faz você mudar de ideia sobre uma faixa?
No contexto da discotecagem, principalmente o que estou sentindo naquele momento e como a festa e o set estão se desenrolando. Ler o ambiente é fundamental.
Posso desistir de uma faixa que planejava tocar, assim como resgatar um disco que ficou anos guardado e que eu achava que nunca mais tocaria.
O que ainda faz você perder horas atrás de uma música?
Descobrir novos mundos. Garimpar músicas obscuras. Acompanhar artistas, selos e movimentos que considero relevantes. Encontrar “A” música.
É indescritível ouvir uma música incrível pela primeira vez e já imaginar o momento de compartilhar com outras pessoas na pista. Sou muito grato por poder fazer isso.
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Fotos por Gabriel Cabral e Rafael Morse
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Vermelho reúne músicas que permaneceram, descobertas que mudaram seu jeito de ouvir e faixas que ganharam outro significado com o tempo.
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