
Nem toda conquista aparece nas redes. Barona parece mais interessada nas que continuam acontecendo fora delas.
Barona pertence a uma geração que aprendeu a transformar quase tudo em vitrine. Mesmo assim, suas respostas caminham na direção contrária. Depois de duas mixtapes e do álbum Meus Erros de Novo, a rapper escolhe falar menos sobre imagem e mais sobre presença. Menos sobre construir uma personagem e mais sobre preservar uma vida que continua acontecendo fora da internet.
Essa diferença aparece em vários momentos da conversa. Quando fala sobre autenticidade, sobre os erros que mulheres ainda são punidas por assumir, sobre a importância de sair sozinha ou simplesmente guardar algumas experiências para quem realmente importa.
A playlist “Depois da Validação” prolonga essa escolha. Uma seleção construída por Barona para aqueles momentos em que existir deixa de depender do olhar dos outros. Na entrevista ao deepbeep, Barona fala sobre vulnerabilidade, internet e sobre o alívio de não precisar transformar tudo em performance.
Lísias Paiva, criador e editor
Barona, você faz música num momento em que muita gente parece mais preocupada em parecer confiante do que em realmente sentir alguma coisa. O que ficou mais cansativo nessa performance de autoestima permanente?
Acho que o mais cansativo dessa dinâmica artística é justamente fingir ou mentir para parecer algo que não se é, mesmo quando a música tenta apresentar nossos sentimentos reais. Tudo depende do momento e da proposta de cada trabalho. Para mim, o jeito de tornar isso mais leve é continuar focando na própria verdade.
Tem alguma música que muda completamente a forma como você ocupa a cidade quando está ouvindo?
A primeira faixa do meu álbum, Plano B. Ela me coloca com os pés no chão e me lembra de onde eu vim.
Seu trabalho fala de desejo, raiva, ego e vulnerabilidade sem tentar organizar tudo numa personalidade “palatável”. O que você percebe que as mulheres ainda são punidas por dizer em voz alta?
Quando a gente se propõe a mostrar uma versão mais humana, com erros e acertos, aparece uma expectativa de que não podemos errar. Isso pesa ainda mais para mulheres inseridas num ambiente muito masculino.
Hoje parece existir uma pressão para transformar qualquer emoção em conteúdo quase imediatamente. O que você faz questão de viver antes de postar?
Gosto de viver as coisas com as pessoas que amo mais em off. Estar presente de verdade. Também gosto de sair sozinha, comer uma boa comida e guardar esses momentos mais para mim. Isso me faz feliz.
Grande parte da internet funciona na lógica de parecer interessante o tempo inteiro. O que ficou mais sem graça nas pessoas cool?
Acho que essa necessidade de transformar tudo em novidade. Tudo precisa ser rápido, novo e chamar a atenção. O habitual virou “flop”. As coisas comuns perderam espaço. Isso acaba deixando muita gente chata e monótona. Às vezes, é bom sair do celular. Ser “normie” ou “básica” também tem seu valor.
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Agradecimentos ao Pedro Paulo Furlan pela conexão
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