Emilio Dantas e a música antes do personagem

Emilio Dantas em entrevista e playlist para o deepbeep sobre música, atuação e a relação entre emoção e interpretação.

Antes da televisão, dos musicais e do cinema, Emilio Dantas encontrou na música o primeiro idioma. Algumas emoções continuam chegando por ali.

Antes de viver personagens que passaram a fazer parte da memória de milhões de pessoas, Emilio Dantas já subia ao palco para cantar. A música nunca deixou de ocupar esse lugar. Mesmo atravessando teatro, televisão, cinema e musicais, ela continuou funcionando de outro jeito. Enquanto a atuação pede construção, a música parece escapar desse processo. Um acorde, como ele resume na conversa, pode alcançar mais rápido aquilo que as palavras ainda procuram. Essa diferença ajuda a entender a entrevista.

Emilio fala sobre personagens, fama, palco e memória sem separar essas experiências da música. O nervosismo acompanha cada entrada em cena como ator. O canto produz o efeito contrário. Antes do show, ele descreve uma serenidade que faz o corpo subir à coxia quase flutuando.

A playlist “O Camarim Ainda Está Aceso” prolonga esse estado. Beastie Boys, Gilberto Gil, Nação Zumbi, Natalie Lafourcade, Macy Gray, The Who e outras músicas escolhidas por Emilio acompanham aquelas horas em que o espetáculo terminou, mas o corpo continua desperto. Na entrevista ao deepbeep, Emilio Dantas lembra que a música nunca deixou de ser o primeiro lugar onde ele se reconhece.

Lísias Paiva, criador e editor

Você já passou por palco, banda, novela, musical, cinema e personagem popular. O que muda na vida de alguém quando muita gente começa a projetar coisas em cima dela?
Acho que nasce um novo tipo de responsabilidade. Tipo flex! Você precisa estar ciente de que sua visão artística tem peso e interfere na vida das pessoas e, ao mesmo tempo, lembrar-se constantemente de que o contrário não acontece. Ou, pelo menos, é uma opção sua fazer acontecer. No fim das contas, na verdade, não muda muita coisa, não.

Você começou na música antes de se tornar ator. O que o som sempre conseguiu acessar em você mais rápido do que as palavras?
A memória e qualquer sentimento primário autêntico. O som não precisa de interpretação para ser sentido. Você não precisa entender uma letra em inglês para se emocionar com aquela música X. Para mim, um acorde tem muito mais poder do que uma poesia.

Muitos dos seus personagens parecem viver entre impulso e controle. O que as pessoas mais tentam esconder quando querem parecer fortes?
Não sei se existe algum ponto mais complexo, mas, até onde eu sei, é a fraqueza.

Você já viveu personagens muito amados, muito odiados e muito desejados. O que mais muda no jeito como as pessoas se aproximam de você depois disso?
Elas naturalmente vêm carregadas de um tipo de intimidade que pode se traduzir em gratidão, gatilho, proximidade de pensamento… O mais comum é a perplexidade física, eu acho. Na tela, assumimos mil dimensões. Em uma cena, meus olhos podem estar maiores que a sua cabeça e, em outra, meu corpo inteiro pode caber na palma da sua mão.

Depois de tantos anos de palco e câmera, o que ainda consegue deixar você eletrizado segundos antes de entrar em cena?
Música. Quando estou atuando, sempre sou acompanhado do nervosismo. Não importa quando nem o porquê, ele sempre está ali. Já para cantar é o extremo oposto. Já subo as escadinhas da coxia flutuando de serenidade.

Qual tipo de noite faz você esquecer completamente que existe rotina?
Sou pai de gêmeos de 4 anos. Não existe esquecer completamente a rotina. Não por agora.

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Fotos por Sergio Baia

Agradecimentos à Mayara Ramos, da AM Company pela conexão.

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Ouça a playlist de Emilio Dantas no seu player preferido

Antes dos personagens, Emilio Dantas já encontrava na música um jeito de reconhecer emoções que ainda não cabiam em palavras. Esta playlist prolonga esse estado. Canções para quando o espetáculo termina, mas a música continua dizendo o que a interpretação não alcança.

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