Emanuelle Araújo entre o barulho e o mistério

A cantora e atriz Emanuelle Araújo em entrevista e playlist para o deepbeep

Entre televisão, música e cultura pop brasileira, Emanuelle Araújo fala sobre imagem pública, identidade e sobre como preservar complexidade em um ambiente que simplifica personagens rapidamente.

Emanuelle Araújo nunca ficou muito tempo parada em um único lugar. Entre televisão, música, cinema e palco, atravessou décadas de cultura pop brasileira sem deixar que a própria imagem ficasse limitada ao que esperavam dela. Agora, enquanto vive uma nova fase na novela A Nobreza do Amor e começa a levar aos palcos o repertório de Corra para o Mar, terceiro disco de sua carreira, Emanuelle parece menos interessada em reinvenção forçada e mais conectada ao que permaneceu vivo nela ao longo dos anos. No álbum, Bahia, samba-reggae, blocos afro e memória coletiva aparecem menos como referência estética e mais como algo que nunca saiu completamente dela. Não existe tentativa de atualizar raízes para parecer contemporânea. A força está justamente em entender que essas referências continuam presentes mesmo depois de tantos atravessamentos, personagens e fases diferentes da própria carreira. Talvez por isso Corra para o Mar soe menos como retorno e mais como continuidade. Um disco que parece mais interessado em profundidade do que em atualização forçada. Na conversa com o deepbeep, Emanuelle fala sobre música, atuação, imagem pública, intuição e sobre como aprendeu a não viver completamente a partir da expectativa dos outros. A playlist “De Volta ao Mar” acompanha esse percurso entre memória, permanência e músicas que continuam atravessando sua história muito além da nostalgia.

Lísias Paiva, sócio-editor
Com a colaboração de Claudio Thorne, social media

“Corra para o Mar” parece um disco que não nasceu agora, mas que esperou o momento certo para existir. O que você precisou viver para que ele finalmente fizesse sentido?
Exatamente isso. Eu sempre quis fazer um disco que homenageasse minhas raízes musicais, porém queria que isso acontecesse em um momento propício e real. Foram alguns anos de desejo, depois alguns anos de pesquisa e, por fim, os últimos dois anos em que fomos concebendo o álbum pouco a pouco, com lançamento de singles até a chegada dele completo. Um disco que representava minha história precisava ter história. E assim aconteceu.

Ao mesmo tempo em que você lança um trabalho tão ligado à sua origem, você está na televisão vivendo outra personagem. O que muda em você quando está interpretando alguém e quando está cantando algo tão pessoal?
Amo minhas duas carreiras e as vivo intensamente. Viver outra persona é uma das minhas maiores paixões. Estar dedicada a uma personagem amplia meus horizontes, me alarga. Cantar o que há de mais profundo em mim é me conectar com quem de fato sou. Com toda a minha verdade. Uma coisa ajuda a outra e, quando andam juntas, é quando estou feliz.

Esse disco tem uma presença muito forte da Bahia, dos blocos afro, da percussão, de uma memória coletiva. Em que momento isso deixa de ser referência e vira algo que você sente no corpo de novo?
Essas referências vivem em mim. Quando você cresce e se torna alguém nascida de uma cultura forte, essa cultura nunca se distancia de você. Brinco que “quanto mais mundo eu corro, mais baiana eu fico”, e é a mais pura verdade. Esses tambores me fizeram artista e, mesmo quando estou em um contexto fora deles, eles estão dentro de mim.

Hoje tudo pede velocidade, lançamento, presença constante. Você fala muito sobre respeitar o tempo das coisas. O que você já deixou de fazer por não estar pronta, mesmo sabendo que poderia dar certo?
Não deixei de viver nada exatamente por não me achar pronta, e sim por não me sentir plena para isso no momento. E a plenitude, pra mim, não vem só de preparação ou prontidão, mas muitas vezes de desejo, conforto e intenção. Sou muito intuitiva e respeito os sinais do universo. Já deixei de seguir em grandes coisas não por não me achar pronta, mas por entender que aquilo poderia não ser exatamente pra mim e respeitar o tempo de recomeçar e realizar o novo. O mundo nos impõe velocidade. Porém, paciência também é a chave do negócio.

Você teve uma imagem muito forte construída ao longo dos anos. O que você sente que ainda não conseguiram ver em você?
A minha maior busca de liberdade hoje é não viver da expectativa do outro. Busco viver sendo quem sou. Não sei se me mostro tão claramente. Então, não me aflige não ser totalmente decifrada. Tenho uma imagem muito clara em muitos aspectos e misteriosa em outros. E tá bom assim. Gosto de ser verdadeira com meu público, que respeito tanto. E mistério também é verdade.

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Fotos por Mari França  

Agradecimentos à Marcela Salgueiro da Agência Enne

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