Deekapz e o caos que funciona na pista

Deekapz em entrevista para o deepbeep

Entre remix, pista e circulação global, Deekapz transforma transição, improviso e mistura em uma linguagem feita para continuar em movimento.

Deekapz trabalha como quem está montando uma transmissão em tempo real. Entre edits, remixes, produções autorais e sets que atravessam funk, eletrônico, rap, afrobeat e música global, Matheus e Paulo DK construíram um som que raramente fica parado no mesmo lugar por muito tempo. Uma faixa abre espaço para outra, referências improváveis começam a conversar e o que parecia caos vira pista funcionando no corpo. Boa parte desse processo acontece ao vivo. O estúdio organiza a ideia, mas é na reação imediata das pessoas que a música realmente muda de forma. Tem remix que nasce de acidente em transição, faixa que parecia pronta e precisou voltar inteira para o projeto depois do teste na pista e conexões que só aparecem quando diferentes públicos respondem da mesma maneira, mesmo em cidades e contextos completamente distintos. Talvez por isso o trabalho da dupla pareça menos interessado em pureza estética e mais atento à circulação, energia e surpresa. O importante não é manter tudo sob controle. É fazer a mistura continuar viva. Na conversa com o deepbeep, Deekapz fala sobre improviso, remix, sintonia criativa e sobre por que a pista ainda continua sendo o lugar mais honesto para entender se uma música realmente funciona. O álbum Deekapz FM, enviado pela dupla para acompanhar a entrevista, ajuda a entrar nesse fluxo entre transmissão, mistura e música feita para continuar em movimento.

Marcelo Nassif, sócio-editor

Vocês construíram um som que circula fácil entre Brasil e fora, mas isso nem sempre é automático. Em que momento vocês percebem que uma faixa realmente funciona nos dois lugares?
Matheus: Acho que a percepção vem sempre da pista, quando misturamos o ao vivo e temos aquele feedback instantâneo. Acho que é nesse lugar que conseguimos perceber o alcance. Acho bacana quando estamos em um lugar com público diverso — diferentes idades, gêneros e localidades — e as reações são parecidas. É da hora demais ter essa percepção.

Paulo DK: Eu sinto que isso não dá pra prever no estúdio. A confirmação vem quando a música ganha vida fora dali. Quando você toca em contextos diferentes e a faixa continua funcionando, independentemente de idioma ou cultura, aí você entende que ela atravessou a bolha.

Trabalhar em dupla pode ser sintonia ou conflito. No estúdio, o que mais faz vocês avançarem: concordar rápido ou discordar até chegar a outro lugar?
Matheus: A concordância entre nós dois dentro da produção musical é algo extremamente recorrente. Chega a ser engraçado, a ponto de parecer que estamos lendo a mente um do outro. Discordamos às vezes, bem raramente, mas estamos sempre em sintonia. Acho que essa sintonia é o que nos faz avançar dentro da produção.

Paulo DK: Nosso processo é muito fluido. A gente não fica travando em decisão, as coisas simplesmente encaixam. Existe um entendimento muito natural, então o avanço vem mais dessa fluidez do que de conflito. Quando rola discordância, geralmente vira detalhe.

Vocês testam muita coisa na pista antes de virar lançamento. Já teve uma faixa que parecia pronta no estúdio e mudou completamente depois de tocar ao vivo? O que aconteceu?
Matheus: Isso acontece com frequência nos nossos remixes. Sempre testamos edits e remixes ao vivo e usamos a pista como um teste de qualidade.

Paulo DK: Várias. Tem coisa que no estúdio parece resolvida, mas na pista pede outro caminho. Às vezes é energia, às vezes é dinâmica. A gente costuma ajustar bastante depois desses testes, principalmente em remix e edit, que são mais maleáveis.

Vocês remixam muita coisa, mas nem toda música pede intervenção. O que faz vocês escutarem uma faixa e pensarem “isso aqui precisa virar outra coisa”?
Matheus: Existem alguns caminhos que usamos pra criar ou pensar nesses remixes. Às vezes achamos conexões sem querer em transições ao vivo. Às vezes, no dia a dia, ouvindo coisas diferentes ao mesmo tempo, uma ideia simplesmente clica. Na grande maioria das vezes, acaba sendo bem espontâneo.

Paulo DK: É muito mais sensorial do que racional. Às vezes uma música tem um potencial escondido que aparece quando você coloca ela em outro contexto. Pode ser uma mix inesperada, uma referência cruzada… Quando isso acontece, a gente vai atrás e desenvolve.

Já teve um momento em que vocês perceberam que estavam funcionando, mas ficando parecidos com todo mundo? O que vocês fizeram?
Matheus: Sim, principalmente quando acabo ficando viciado e consumindo muito do mesmo conteúdo musical, e isso acaba influenciando muito na criação. Mas, quando vem essa percepção, eu respiro fundo e recomeço o projeto do zero.

Paulo DK: Já sim. Quando você consome muito de um mesmo lugar, começa a refletir isso no som sem perceber. Nesses momentos, eu prefiro me afastar um pouco, buscar outras referências e até quebrar o fluxo. Voltar com a cabeça limpa ajuda a trazer algo mais próprio.

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Fotos por Bruna Sussekind

Agradecimentos à Ágata Cunha da Girahub pela conexão

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