
Entre intimidade, leveza e contenção, Davi Cartaxo transforma silêncio e proximidade em método no álbum “Templo”.
Davi Cartaxo não trabalha a partir do excesso. Seu som opera perto. Voz, violão, silêncio, pequenas construções que vão entrando devagar. Canções que não tentam ocupar tudo ao mesmo tempo. Mas essa leveza não vem de ingenuidade. Vem de controle. Depois de uma sequência de singles que começaram a ampliar sua circulação, o cantor e compositor cearense chega a “Templo”, álbum recém-lançado que amplia seu universo sem abandonar a proximidade que sustenta suas músicas desde o começo. As músicas partem da experiência pessoal, mas evitam dramatizar demais. Existe uma tentativa constante de manter emoção e contenção coexistindo no mesmo espaço. Talvez por isso o disco funcione melhor quando desacelera. No dia 13 de maio, Davi Cartaxo apresenta “Templo” ao vivo no Blue Note São Paulo. Será a primeira vez que as músicas do álbum chegam ao palco. Na conversa com o deepbeep, ele fala sobre composição, emoção e sobre por que nem toda música precisa agradar rápido. A playlist “Entre uma Música e Outra” acompanha esse estado. Fleetwood Mac, Sade, Djavan, Kings of Convenience e Chet Baker aparecendo entre intervalos, silêncio e estrada. Músicas para quando a escuta volta a ser só escuta.
Marcelo Nassif, sócio-editor
Davi, seu som trabalha muito na proximidade, quase como uma conversa direta. Em que momento você percebe que menos realmente sustenta mais?
Na composição, sempre acreditei no menos é mais. Dessa forma, consigo me conectar mais com as pessoas através da minha música. Claro que existe toda uma construção. Gosto de ir entregando aos poucos.
Existe uma leveza nas suas músicas que não parece ingênua. O que você evita simplificar demais para não perder profundidade?
Nada melhor do que a vivência para se inspirar e escrever boas músicas. Quanto maior o número de experiências acumuladas durante a vida, maior o repertório do artista. Me sinto privilegiado por tudo o que já vivi até aqui e tento passar isso através da minha música de uma maneira simples, genuína e profunda.
Tem música que chega fácil e agrada rápido. Isso te tranquiliza ou te deixa em alerta?
Se esse for o intuito da música, agrada. Acredito que cada canção tem sua função, ainda mais quando se fala de um trabalho maior, como um disco, por exemplo. Não necessariamente todas vão agradar rápido e tá tudo certo. Então depende do objetivo.
Você vem de um formato mais íntimo, voz e violão, mas isso também expõe mais. O que você escolhe não esconder quando está cantando?
Escolho não esconder a emoção de estar em cima do palco cantando as músicas que escrevi nos meus momentos mais íntimos, só eu e meu violão.
Quando uma música sua conecta com muita gente, o que você presta atenção para não começar a repetir a si mesmo?
Não me preocupo muito com isso. Deixo fluir na composição e acredito que, quando é verdadeiro, as pessoas sentem.
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Agradecimentos à Flavia Motta da Agência Lupa
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