Jovens Ateus nem tudo precisa se resolver

Jovens Ateus em entrevista e playlist para o deepbeep

Entre melancolia, velocidade e repetição, Jovens Ateus trabalham ideias que não se resolvem rápido e seguem assim por escolha.

Jovens Ateus não operam na pressa. Formada em Maringá, a banda constrói um pós-punk que oscila entre melancolia e impulso. Um som que parece introspectivo, mas pede movimento. Enquanto muita música hoje nasce para se resolver rápido, o processo deles segue outro caminho. As ideias aparecem, mas nem sempre fecham. Algumas ficam. Outras voltam depois. E isso não é falha. É escolha. O incômodo permanece. As letras não suavizam. As músicas não se explicam. No estúdio, as ideias podem ficar em aberto. No palco, viram outra coisa. Mais diretas, mais físicas, menos contemplativas. Talvez o ponto esteja aí. Nem tudo precisa se resolver. Na conversa com o deepbeep, a banda fala sobre tempo, composição e sobre por que insistir ainda é mais importante do que simplificar. A playlist “Antes do Barulho”, curada por eles, acompanha esse momento. O que existe antes da música existir.

Marcelo Nassif, sócio-editor

Manter uma banda autoral hoje exige insistência. Em que momento vocês já pensaram em simplificar e decidiram não fazer isso?
Bom, acredito que tudo o que você leva a sério exige tempo, coragem e insistência. A música é algo muito significativo para quem ama. E, quando você se encontra em um grupo de pessoas que se conectam criativamente e têm tanta vontade quanto você, isso acaba se tornando um novo propósito de vida.

As letras de vocês carregam um incômodo que não some facilmente. O que vocês preferem não suavizar, mesmo sabendo que isso pode afastar?
Sobre as letras serem carregadas de sentimentos e até angústia, talvez seja mais fácil abordar esses temas e deixar surgir, de forma natural, uma letra nesse contexto. Dando um exemplo: é muito mais fácil você estar com sentimentos ditos “tristes” e levar isso para a terapia do que, estando tudo bem, conseguir transmitir essas emoções.

Hoje muita música é feita para funcionar rápido. O que vocês fazem quando percebem que uma ideia está ficando fácil demais?
Geralmente, as ideias surgem de maneira rápida, seja um riff, uma base ou uma melodia. A partir dessa ideia principal, nos reunimos e trabalhamos em conjunto para que a música tome forma. Às vezes, tudo flui rápido e a música se resolve com facilidade. Em outros casos, a ideia fica guardada, mas nunca descartada. Em um momento melhor, dá para retomar e terminar com a cabeça mais descansada.

Tem algo no som de vocês que não funciona em todo lugar. Isso incomoda ou é exatamente o ponto?
O que a gente faz traz para o ouvinte um sentimento de introspecção, até uma certa solidão e tristeza. Mas acho que conseguimos traduzir isso de forma mais visceral ao vivo. Pela simplicidade das músicas e pelos BPMs acelerados, o show acaba tirando um pouco da melancolia e vindo com mais energia.

Quando uma música de vocês não conecta na hora, vocês insistem nela ou abandonam?
A gente se ajuda sempre no processo de composição para chegar ao resultado de que gosta, mas às vezes a música tem uma certa dificuldade de resolução — e isso não é um ponto final. O tempo e uma cabeça mais livre podem trazer uma nova forma de abordagem e fazer a música acontecer depois.

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Fotos por André Djanikian

Agradecimentos à Francine Ramos pela conexão.

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