NUNCA, o novo EP de L_cio pela GopTun Records

L_cio lança EP pela GopTun. Entrevista e playlist no deepbeep.

“NUNCA”, pela GopTun Records, marca um ajuste no som de L_cio. Menos camada, mais precisão, com o live ainda aberto e guiado pela pista.

L_cio volta ao deepbeep. A conversa começou em 2010 e reapareceu no ano passado. O ponto de partida continua o mesmo. O live nasce da pista, sem roteiro fechado, atento ao que já está acontecendo antes de propor qualquer coisa. “NUNCA”, seu novo EP pela GopTun Records, surge de um convite que parecia improvável e vira um trabalho mais direto. Não porque encurtou o caminho, mas porque decidiu melhor o que fica. Menos camada não simplifica. Organiza. E num momento em que muita música resolve rápido demais, esse tipo de escolha muda o jogo. A voz entra como matéria. Não precisa dizer, funciona como clima, atravessa as faixas, cria um idioma próprio. O improviso continua no centro, mas mais calibrado. O risco não some, só não depende mais do excesso. Antes do live, existe outra escuta. Sem narrativa definida, mas já com intenção. Um espaço onde o som ainda não virou performance, mas começa a apontar direção. A playlist “Antes de Virar Live” nasce daí. Faixas que não entram prontas, mas que influenciam o caminho, o clima e a construção do set. Esse movimento ganha forma ao vivo no dia 9 de maio, no Caracol Bar, em São Paulo, e segue em circulação ao longo do ano, com o trabalho atravessando a Europa e o Oriente Médio. Na volta ao deepbeep, L_cio fala sobre esse ajuste e sobre como manter o eixo quando a forma muda e o som encontra contextos diferentes.

Lísias Paiva, sócio-fundador

Na última vez que conversamos, você falava de construir o live a partir da pista, sem preparar nada. O que mudou na sua forma de escutar antes de tocar?
Eu continuo alimentando sempre meu live com novas produções, remixes e edits, mas sigo com essa mentalidade mais aberta para o que vou apresentar na pista. Por isso, sempre chego muito cedo à festa para entender a pista, os sets e o mood do que farei no meu live.

“NUNCA” nasce de um convite que parecia improvável e vira um dos seus trabalhos mais diretos para a pista. Em que momento você percebeu que podia ser mais simples sem perder o que é seu?
O convite foi algo muito especial, pois tenho um carinho enorme pela GopTun e todos os projetos que fazem parte desse universo — selo, festa, festivais. Já havia lançado duas músicas em compilações do selo na pandemia, mas um EP autoral era algo que não havia sido pensado. Encontrei o TYV (Bruno Protti) em um lançamento e ele acabou me convidando para fazer um EP. Produzi três faixas pensando única e exclusivamente na estética da GopTun e cheguei a um resultado muito especial — faixas coesas, bem amarradas e com uma simplicidade potente e madura para as pistas. Tenho tocado bastante essas faixas e a pista tem reagido super bem.

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Seu uso de voz no EP não comunica no sentido literal, mas organiza o clima. O que te interessa nesse ponto em que a voz deixa de dizer algo e passa a funcionar como matéria?
Eu nunca havia dado protagonismo para minha voz, pois ela não é tão agradável, mas no início do ano o Stroka criou um plugin maravilhoso, o Phase Garden, que funcionou demais para a criação de vozes nas faixas. Tenho usado muito esse plugin nas minhas produções. Eu amo usar a voz como instrumento e não só como mensagem literal. Então criei palavras que não existem, mas que soam bem e se encaixam nas músicas.

Você sempre trabalhou com improviso no live. Quando o som ganha forma em estúdio, o que você tenta não perder desse risco?
Eu sempre produzo minhas faixas pensando em como vou tocá-las ao vivo também. Tenho uma técnica de transposição das faixas para o formato live que me dá liberdade de tocar de diferentes formas, o que faz com que cada apresentação seja única. Lembrando que o risco tem que ser sempre seguro.

Tem muita música hoje que resolve rápido a pista. O que você faz para não cair nesse lugar, mesmo sabendo que funciona?
Eu sempre penso em narrativas. Assim, faço das músicas conversas que têm um tempo mais orgânico para entregar a mensagem de cada faixa. Funciona também.

Se você testa “NUNCA” numa pista que não conhece, o que te faz perceber que encaixou de verdade?
A dança e os sorrisos.

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De 2010, a primeira e fantástica colaboração do L_cio com o deepbeep.

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Fotos por Camila Padilha e Marcelo Paixão

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