Aline Weber

Aline Weber

Aline Weber sobreviveu à transição do papel para o pixel, deletou um perfil com 100 mil seguidores para salvar a própria sanidade e explica por que a função de uma modelo é criar histórias, não apenas poses.

Aline Weber tem um rosto que parece ter sido esculpido por uma inteligência artificial muito antes dos algoritmos dominarem a estética global. Com traços que transitam entre a realeza clássica e uma androide de ficção científica, a catarinense construiu uma carreira sólida emprestando sua imagem para traduzir o desejo de marcas como Tom Ford e Balenciaga. Mas por trás da imagem estática existe uma mente inquieta que viu a indústria da moda mudar radicalmente: do mistério das supermodelos analógicas para a exposição ininterrupta das influenciadoras digitais. Nesta conversa com o deepbeep, Aline fala sobre a importância de impor limites à câmera, a decisão de resetar sua presença online e como usa a maturidade para não diluir sua essência. Para sintonizar com esse estilo de vida nômade, desafiamos Aline a criar a playlist A Frequência do Deslocamento, uma seleção de faixas que a ajudam a encontrar o eixo entre aeroportos, camarins e a passarela.

Marcelo Nassif, sócio-editor

Aline, você passou a carreira emprestando sua imagem para traduzir o desejo de estilistas e fotógrafos. De que maneira você gerencia a sua essência para que ela não seja totalmente diluída pelas projeções e expectativas de quem está atrás da lente?
Acho que a maturidade vem me mostrando cada vez mais quem eu sou, do que gosto e do que não gosto. Então, é muito mais fácil hoje em dia fazer essa separação. Além disso, os amigos e a família são a parte que me ancora. Lá no set, eu amo esse mundo da fantasia onde um time coloca ideias na mesa e criamos juntos. Essa é a parte de que eu mais gosto do meu trabalho: a exploração de identidades e a criação de um personagem em equipe.

Sua presença física transita entre o clássico e o futurista com uma naturalidade que poucos conseguem. Como você desenvolveu a percepção de usar o seu corpo como uma ferramenta de expressão que vai muito além de apenas posar para uma foto?
Eu sempre gostei muito da criatividade por trás do meu trabalho. Principalmente para revistas, temos um moodboard que nos dá uma direção e dali vamos criando. Eu amo esse processo, então talvez a naturalidade venha justamente disso: do amor em criar uma história e não apenas uma foto bonita.

O deepbeep nasceu da inquietação com o achatamento da cultura pelos algoritmos. Como você, que acompanhou a mudança do papel impresso para o clique instantâneo das redes sociais, protege a sua verdade humana em um mercado que hoje valoriza mais o engajamento do que a profundidade da imagem?
Vindo de uma época que tinha privacidade, é bem diferente. Cheguei a deletar um Instagram antigamente com mais de 100 mil seguidores porque não me enquadrava naquilo. Hoje em dia, obviamente, com o tempo me adaptei melhor, mas preciso fazer uns detox de redes sociais aqui e ali. No Instagram, mando muitos memes num grupo privado para descontrair e foi a forma de, fora o meu trabalho, levar a plataforma como uma brincadeira também. A parte mais humana vem do que eu gosto, no que acredito, e acho importante também às vezes nos permitirmos mostrar quem somos fora do trabalho ou da imagem montada.

Modelar exige comunicar emoções complexas sem usar uma única palavra. O que passa pela sua cabeça durante um desfile ou uma sessão de fotos para que a intenção da roupa ganhe vida através do seu movimento e do seu olhar?
Sempre criar um personagem de acordo com o que está na minha frente e ter a abertura para criar. Sempre!

Com a experiência, a imagem que você projeta hoje parece muito mais consciente e dona de si. Qual é a principal provocação que você faz questão de deixar para as novas gerações que estão entrando agora nesse jogo da moda e da beleza?
Acho que, como já falei e parece até clichê, a chave é a maturidade. Ter vivido diversas experiências e, a partir disso, ter me conhecido mais ao longo do caminho. Eu diria para não deixar de ser quem você é jamais, porque somos todos únicos. Tenha abertura para receber opiniões e, a partir disso, decida o que achar melhor. Sonhe, porque sem sonhar não vamos atrás. Por último, trabalhe duro, mas também tenha um espaço e tempo para si, para se divertir e estar com as pessoas que ama.

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Fotos por Cinematic Walks, Erez Sabag, Patrick Xiong

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