Cashu

Cashu

​A técnica não é regra, é liberdade. Cashu sobre a recusa do óbvio e a busca pelo som inimaginável.

Cashu não é uma DJ preciosista. Para ela, a técnica não é um fim, é um meio para a liberdade. Com uma carreira que transita por festivais e clubes ao redor do mundo, sua pesquisa foca na criação de atmosferas. Ela usa a mixagem para esculpir o que chama de ‘paisagens sonoras com vida própria’, conectando o transe individual à experiência coletiva. Como apoiadores do Festival Novas Frequências 15 Anos, conversamos com Cashu antes de sua apresentação no dia 5/12 no Trauma no RJ. Falamos sobre como a técnica serve à intuição e ao desejo de explorar ‘lugares inimagináveis no som’. Para acompanhar a conversa, a playlist foi curada por Chico Dub, criador do festival. Ele selecionou faixas que fogem do radar, carregam texturas especiais e apontam para futuros sonoros possíveis. A seleção e a entrevista estão logo abaixo.

Lísias Paiva, editor-fundador

Seus sets são conhecidos por criar atmosferas intensas, quase jornadas sonoras. Para além da pista, qual você enxerga ser a principal função da sua arte hoje? É sobre catarse coletiva, transe individual ou talvez a criação de espaços temporários de liberdade?
Acredito que sejam ambas. Um transe que parte do individual, mas que, por ser em festas, acaba sendo coletivo e criando comunidade. A música tem esse poder de conectar as pessoas numa mesma frequência, e a minha arte é essa conversa entre os muitos indivíduos que estão ali ouvindo e dançando. Essa troca influencia uns aos outros e também a mim, enquanto DJ. É uma energia coletiva que se retroalimenta.

Sua assinatura como DJ parece envolver a criação de texturas profundas e narrativas que se desdobram lentamente, prendendo o ouvinte. Como você equilibra a técnica precisa da mixagem com a sensibilidade para esculpir essas paisagens sonoras que parecem ter vida própria?
Quanto mais técnica, mais fácil é explorar e experimentar, e isso é algo que eu amo fazer. A técnica facilita a criação de paisagens sonoras e me permite chegar a lugares mais específicos e desafiadores. Mas eu não sou uma DJ preciosista. Uso essa base técnica, adquirida ao longo dos anos, como ferramenta para liberdade, não como regra. O que me guia é a sensibilidade, a troca com a pista e as escolhas emocionais. Não gosto de definir tudo antes de tocar; prefiro deixar espaço para a experiência do momento, para o que acontece ali, em tempo real.

O deepbeep celebra a escuta atenta em um mundo de consumo rápido. Como você, como pesquisadora e DJ, fura essa bolha para continuar descobrindo e compartilhando sons que desafiam a previsibilidade?
É um processo de muitos anos de pesquisa e de familiaridade com selos, artistas e cenas diferentes. Eu bebo de muitas fontes e estilos musicais, preciso sempre de variações e novos estímulos. Sou uma pessoa que se entedia fácil, por isso busco sons não óbvios, que me tirem do lugar comum. Essa inquietação é o que me faz continuar descobrindo e compartilhando músicas que desafiam a previsibilidade na cabeça das pessoas e até no corpo.

Sua pesquisa é famosa por ir além do óbvio, buscando sons com sujeira, tensão e profundidade. O que faz uma faixa grudar no seu ouvido a ponto de entrar no seu case? É um timbre específico, uma virada inesperada ou uma atmosfera que te captura? Como funciona esse garimpo?
Existem alguns elementos que fui percebendo ao longo dos anos, mas varia muito de estilo. Às vezes é um beat mais sexy, um kick mais gordo ou uma camada de highs que cria quase uma percussão caótica. Gosto de barulhinhos esquisitos e melodias trippy, que me transportam. Mas é difícil descrever exatamente o que faz uma faixa “grudar” em mim. Depende da atmosfera e da sensação que ela provoca, algo que me captura de forma quase física.

Seu som muitas vezes desafia as convenções da pista. Ao se apresentar no Novas Frequências, um festival que celebra a experimentação, que tipo de escuta ou estado de espírito você espera provocar no público, talvez algo que vá além da resposta puramente física da dança?
Tocar no Novas Frequências, um festival tão importante para a música experimental, me permite explorar lugares inimagináveis no som. É uma oportunidade de apresentar coisas que eu escuto, mas que não cabem em uma pista convencional. Estou muito animada com essa liberdade. Tenho buscado cada vez mais esse tipo de experiência, que vai além da resposta física da dança e convida o público para uma escuta mais profunda e sensorial da resposta física da dança e convida o público para uma escuta mais profunda e sensorial.

Serviço: Festival Novas Frequências 15 anos

3-7 de dezembro no Rio
8-13 de dezembro em São Paulo

Line-up de “A a Z”, formato completo, divisão por cidades e ingressos no ar (exceto os do Sesc Paulista, que abrem 2/12). Acesse o site: https://www.novasfrequencias.com/

Cashu se apresenta no dia apresentação no dia 5/12 no Trauma no RJ.

Apoio: deepbeep

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Fotos: Otimo Karater e Ivi Maiga Bugrimenko

Ouça a playlist de Cashu no Deezer, Apple Music ou Amazon Music

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